Capítulo 15
Taylor abriu os olhos um instante. Queria dizer a ela que não era o que estava pensando, mas aquilo era o óbvio demais! Ele havia traído sua mulher e a única pessoa que amava. Olhou para o som abafado que havia escutado e o que viu, destruiu-o. Aquele olhar expressivo mostrava toda a dor que sentia. Jamais se perdoaria pelo que havia feito. E será que Bia o perdoaria? Seus olhos ficaram úmidos. Ele sentia vontade de chorar. Deus! De repente, sua visão escureceu e nada mais ele enxergava.
***
Bia inspirou profundamente. Sentia o ar começar a faltar e as pernas amolecerem. As mãos tremiam muito antes de entrar ali, no entanto, já não as sentia mais. Um gosto amargo e muito forte deslizava por sua língua. Não sabia se era o próprio sangue ou qualquer outra coisa desagradável que estivesse querendo sair de seu estômago. Na realidade, Bia não sabia mais o que estava acontecendo com ela. Em um momento de fraqueza, deu um passo atrás, fechou os olhos e quase perdeu os sentidos, se não fosse por Isaac aparecer e segurá-la, Bia tinha certeza que cairia no chão. Ele a segurou e começou puxá-la para fora. Bia não sabia de mais nada. Em meio às lágrimas silenciosas que escapavam, ela se deixou guiar para fora da sala.
-O que está sentindo Bia? – Isaac indagou preocupado. Pegou suas mãos, sentindo-as frias.
-Eu não sei. – Ela conseguiu responder entre um suspiro e outro, sua voz quase não saiu, mas Isaac estava atento a tudo e conseguiu entendê-la. Bia afastou as mãos das dele e as apoiou sobre o ventre.
-É melhor eu levá-la até o hospital, depois Taylor irá nos… – Bia abriu os olhos interrompendo-o e o puxou pela gola da camisa.
-Chame apenas um taxi para mim. – Ela disse com raiva.
Isaac observou-a um instante. De repente Bia havia mudado. Não parecia mais sentir-se mal, pelo contrário, parecia que estava forte o suficiente para caminhar sozinha. Seu olhar estava duro, um pouco vazio, mas transmitia raiva, segurança no que estava pedindo e algo mais, que era indecifrável. Isaac não conseguiu compreender como uma pessoa podia transparecer as duas coisas ao mesmo tempo, a não ser que ele estivesse errado… E torcia para estar. Ele meneou a cabeça concordando e se afastou, encontrando Rachel.
-Como ela está? – Ela indagou parando em sua frente.
-Não sou a melhor pessoa para te dizer. – Isaac suspirou. – E ele?
-Do mesmo jeito. – Rachel mordeu os lábios demonstrando não saber o que fazer. Olhou para Isaac suplicando ajuda com o olhar, mas ele estava do mesmo jeito.
-Ela quer um taxi, vai ser melhor ir pra casa, descansar e depois terem uma conversa. – Rachel meneou a cabeça e afastou-se.
Cinco minutos depois, Bia estava dentro do taxi. Isaac disse o endereço ao taxista e afastou-se. Ela sabia que enquanto o carro não virasse a esquina, Isaac continuaria olhando-os se afastar. Ela sentia a força do olhar dele em suas costas. Estava vulnerável demais a ponto de sentir tudo que tinha de ruim ao seu redor. Mas uma coisa ela estava certa. Não podia voltar pra casa. Agora, qualquer esperança que tinha de ficar com Taylor havia sumido. Nunca mais poderiam ficar juntos. Ela não aceitava uma traição e ele uma mentira. Ficariam presos nisso para o resto de suas vidas.
Bia levou uma mão ao rosto, sentindo novamente um líquido escorrer pela bochecha. Estava ficando com frio, o corpo tremendo e a dor no peito intensificando cada vez mais. Ela abriu os lábios ressecados para falar algo ao motorista, mas sua voz não saia. Com esforço e gaguejos, ordenou ao taxista que mudasse o percurso. Ao ver que o motorista respeitava sua decisão e tomava rumo ao endereço que John tinha dado a ela, Bia apoiou a cabeça no banco e passou a olhar as ruas através do vidro. Tudo o que viveu com Taylor invadia sua mente. Lembranças recentes, momentos que a marcaram passou por seus olhos vazios. Deslizou a mão pelo ventre como de costume e suspirou.
***
Taylor não sentia nada. Sabia que a sua volta acontecia algo, pois ouvia um barulho irritante de moveis sendo puxados, mas o corpo… Este estava tão gelado como o peito. A única coisa que sua mente fazia questão de lembrá-lo era do olhar de Bia, a tristeza emanando dele. Ele não sentia sua presença desde que fechara os olhos. Taylor pedia a mente para que aquilo tivesse sido um pesadelo, mas por que ele não acordava logo? Estava na hora de levantar, não é mesmo? Tinha que trabalhar e resolver alguns assuntos pendentes, depois iria almoçar com sua mulher e fazê-la comer tudo o que tinha direito para engordá-la um pouco mais. Esforçou mais a mente para se lembrar de algo que agora era muito importante pra ele: já disse que ela estava ficando linda gorda daquele jeito? Ele queria rir diante do pensamento, no entanto, um barulho o despertou e ele percebeu que era ele sendo arrastado. Resmungou uma imprecaução e forçou-se a abrir os olhos, indagando-se o que Bia estava fazendo.
Mas, para sua decepção, ao abrir os olhos, viu os móveis da sua sala bagunçados, um instante depois, sua visão ficou novamente turva. Ele fez esforço para levantar, mas seu corpo não obedecia. Sua mão não fazia movimento algum. Diabo! O que estava acontecendo com ele? Novamente as imagens de Bia sobre ele invadiu sua visão, os momentos vividos com ela e… Na verdade, não era ela que havia entrado em sua sala, o seduzido e feito amor. Ele abriu novamente os olhos e encontrou Amanda em sua frente, sorrindo.
-Meu caro, Taylor! – Ela disse e deslizou a mão por seu ombro e peito. – Continua sendo um homem de muitas paixões. Achei que quando você se casasse tudo se tornaria muito monótono em sua vida. Vejo que me surpreendi. – Ela suspirou e sorriu mais uma vez. – Onde estão?
-Onde estão o que? – Taylor sentiu uma dor latente na cabeça. – Deus, acho que minha cabeça vai explodir.
-Como? – Amanda se levantou preocupada, mas Taylor pareceu não notar. – A dose que eu coloquei em sua bebida deve durar por muitas horas ainda, não devia sentir dor agora.
-Eu conheço esse sintoma! – Taylor respirou fundo. A cabeça doendo demais. – O que você pôs em minha bebida?
-Se chama mescalina, uma erva muito forte. Você já devia saber como seria os sintomas, afinal, você já o tomou antes! – Amanda gargalhou diabolicamente, caminhou até a porta e a fechou, sem fazer barulho, trancando-a. Em seguida, caminhou até onde estava antes. – Confesso que adoraria que você recordasse tudo o que aconteceu aqui, mas se lembrará apenas do que ainda fez quando estava acordado e excitado.
-Você vai me pagar por isso! – Taylor resmungou, tentou se mover, mas estava debilitado. Seu corpo não recebia a ordem de sua mente e isso fez Amanda rir mais alto ainda.
-Ninguém saberá o que eu quero de verdade, todos vão achar que meu objetivo seria separá-lo de sua doce Bia. – Ela aproximou-se dele ainda mais. – Não preciso de você Taylor, nunca precisei, era apenas uma cobaia para enganar meu pai.
-O que você quer de mim? – Taylor achou que sua voz não saiu, mas Amanda parecia atenta a tudo o que ele fazia.
-Documentos novos que foram parar em suas mãos recentemente. – Amanda apertou seu ombro. – Onde estão?
Taylor forçou um sorriso, pois realmente queria rir, mas seus lábios pareciam não estarem respondendo.
-Em um lugar que você nunca vai achar! – Ele respondeu com arrogância, ou achou que foi.
-Droga! – Ouviu-a resmungar.
-Pra que quer esses documentos, Amanda? – Taylor estava entre a lucidez e o efeito do remédio. Ambos brigavam em seu interior.
-Você sabe muito bem o que eu quero com esses documentos. – Amanda afastou-se dele e ficou de costas. – Só podem estar em seu apartamento, claro. Vamos torcer para que sua esposa não tenha ido pra lá, Taylor, se a encontrar, pode ter certeza que assim que despertar completamente irá direto para o enterro dela. – Amanda pegou a bolsa que estava no sofá, olhou-o mais uma vez e abriu a porta.
-Não ouse tocar em um fio de cabelo dela, Amanda. – Taylor tentou se levantar, mas tudo a sua volta tornou a rodar. – Desgraçada! – Murmurou fracamente assim que a viu fechar a porta gargalhando.
Taylor caiu novamente na cadeira sentindo o corpo adormecer. Essa sensação era semelhante de anos atrás, mas ele não se lembrava de quando. Por mais que se esforçasse, não recordava e nada vinha na mente, apenas tinha essa sensação de estar vivendo tudo de novo. A cada minuto que passava, sua mente ficava confusa. Às vezes se recordava de momentos recentes, principalmente ao que acabava de acontecer, no minuto seguinte, recordou de Bia e do jantar que haviam feito para os pais dela. Ele movia a cabeça tentando dispersar tais lembranças e despertar daquele sono profundo que o invadia. Às vezes a visão escurecia e mais momentos invadiram sua memória. Mostrando-lhe detalhes que Taylor não tinha reparado. Recordou do nervosismo de Bia e que ela não era mesma desde que reencontraram John e seus pais. Recordou quando soube que seria pai e Bia planejava sair de sua vida.
-Isaac! – Rachel entrou na sala acompanhando-o. – O que está acontecend… – as palavras morreram no momento em que notou o estado de Taylor.
Rachel ficou paralisada. O estado de Taylor era lamentável. Não pelo aspecto físico, as roupas debaixo praticamente nos pés e o estado do membro ereto. Isso ela já tinha visto antes, quando esteve com Bia, no entanto, Taylor se debatia, falava coisas incoerentes e suava muito. Ela lamentava tanto que aquilo chegasse a este ponto. Ela tinha avisado a Bia que o pai dela não era flor que se cheire. A pobre coitada e Taylor estavam pagando pelo pecado do homem. Resignada, sem saber por onde começar a ajudar o amigo.
-Ela o drogou! – Isaac observou o irmão conversar consigo mesmo. Isso fez Rachel despertar do transe. – Está alucinando.
-É uma vaca! – Rachel aproximou-se de Taylor e tocou em seu rosto verificando se tinha febre. – Teremos que levá-lo ao médico.
-Vou chamar alguém para me ajudar a carregá-lo. – Isaac se virou para sair, mas parou na porta. – Ela não queria afastar apenas Bia de Taylor, Rachel. Amanda procura algo que está em nossas mãos, como desconfiei antes e… – Ela o interrompeu compreendendo a que ele se referia.
-Você o leva ao hospital enquanto vou atrás dela. – Rachel o acompanhou, mas sua expressão estava carregada e preocupada. – Eu não imaginava que… Ela teria drogado-o, confesso que me surpreendi quando o vi com ela, mas não esperava que fosse nessas conseqüências.
-Tudo vai dar certo, Rachel. – Ele afagou seu ombro e suspirou. – Na verdade, quase tudo.
Ambos sabiam a que eles se referiam. Bia não seria capaz de perdoar Taylor, não depois do que ela viu ali, embora ele fosse inocente. Rachel a entenderia e Isaac já se preparava emocionalmente para enfrentar o irmão depressivo e mal humorado.
***
Taylor sentia o corpo fadigado. Parecia que um caminhão tinha passado por cima dele e esmagou osso por osso. A dor lancinante na cabeça e um zumbido no ouvido o estava irritando. Ouviu vozes, conversa alta que o deixava desnorteado, mas o que mais incomodava, era o fato de não entender nada do que falavam. Ele não fazia idéia de onde estava, mas se recordava muito bem do que tinha acontecido. Batalhou com a mente para se recordar de tudo. Tinha muito mais coisas em jogo agora, no entanto, como poderia resolver isso se não tinha forças para acordar, de sair dessa escuridão que a cada instante o puxava mais a fundo. Será que ele havia morrido? A sensação dizia que sim, no entanto, algumas pessoas diziam que os mortos não sentem dor e isto, ele estava sentindo bastante. Será que estava em coma? Taylor sentiu-se respirar fundo. Em seguida, uma mão macia tocou a sua e isto o incentivou a despertar.
Bia estava ali, embora não sentisse sua presença ele sabia que ela estava ali. Afinal, estava tão desnorteado para conseguir identificá-la, pra sentir seu aroma e sua presença. Apertou a mão que tocava a sua em forma de resposta. Tentou abrir os olhos, mas não tinha força. O que Amanda o fez beber, era muito mais forte dessa vez. Antes, ela tinha feito isso, mas dessa vez, Taylor realmente se recordava. Ele abriu os lábios para falar algo, mas soltou apenas resmungos. Quantas horas já se passaram desde que Bia o viu com Amanda? Ele precisava preparar o que ia falar com Bia, teriam uma conversa muito séria e definitiva. Amanda não o separaria dela. Bia era a mulher de sua vida. Ela perdoaria e entenderia o que tinha acontecido. E depois a seduziria e fariam amor a noite toda. Ele queria dizer que sentia saudade, no entanto, precisava se contentar em apertar a mão que tocava a sua, numa tentativa de demonstrar que sentia falta dela. Ela entenderia o sinal.
Novamente sentia-se guiado para a inconsciência. Tudo estava silencioso demais, havia apenas ele e suas lembranças. Não tinha mais ninguém perto dele e não sentia a mão tocar a sua. Não sentia absolutamente nada. Achou que tinha suspirado e deixou a mente guiá-lo para onde quisesse. Lembrou-se de Zac, no último dia que o havia visto. Estava preocupado com ele, até que recebeu uma mensagem sua por e-mail. Zac era esperto e parecia estar envolvido em alguma encrenca que tivesse a ver com Elizabeth e o pai de Bia. Mas Taylor sabia que o irmão não queria que ele se envolvesse.
O pai de Bia… Taylor visualizou seu sorriso. Aquele dia que entrou no fórum, encarou-o. Taylor sentia-se um pouco derrotado, mas sua experiência, embora jovem demais, sabia que ganharia. Ainda, confuso, tentava descobrir como havia perdido a prova do DNA. O que tinha em mãos, da noite para o dia, era um documento falso, que provava que tudo o que iria declarar, não passava de mentira. Mas ele sabia que havia algo errado, no entanto, não tinha mais tempo para correr atrás da copia. Sua cabeça, ele recordava, doía e ainda estava confuso. Mas tudo desmoronou, quando, uma de suas testemunhas, não compareceu. Sumiu do mapa e levou com ele, todas as esperanças de Taylor fazer justiça. Ahhh! Taylor sabia o que realmente tinha acontecido naquele momento, mas não tinha como provar. Passou dois anos de sua vida remoendo e pensando o que devia ter feito para que tudo tivesse dado certo, no entanto, não havia mais tempo e perdeu a causa, sentindo-se um fracassado e nem um pouco profissional. Agora, recordava muito bem como os documentos haviam sumido de suas mãos e não havia mais chance de achar uma copia, na verdade, não havia possibilidade de provar que sua ex-noiva era culpada.
Seus pensamentos voltaram novamente para Bia. Lembrou-se daquela noite fatídica. Nunca se esqueceria do olhar triste e vazio quando se aproximou dela, deitada no chão, o vestido rasgado, hematomas no rosto e no corpo. Toda vez que ele se lembrava desse incidente, ele sentia o sangue correr ferozmente pelas veias e uma adrenalina invadia-o completamente. Queria ele mesmo acabar com a vida de Kevin. Ah como ele queria!
Taylor estremeceu! Bia havia presenciado seu ato com Amanda. Ele queria apagar essa memória de sua vida, na verdade, gostaria de voltar no tempo e poder consertar o que aconteceu. Tinha certeza que Bia iria perdoá-lo. Ela estava ali, onde esse “ali” significasse ser, mas não se afastava do seu lado. Isso queria dizer alguma coisa, não é?
Taylor encontrava-se inconsciente! Isaac não entendia. A droga que Amanda havia dado a Taylor deixaria seu irmão elétrico, delirando ou agindo imprudentemente. No entanto, Taylor estava inconsciente. O médico explicou que isso poderia acontecer, mas era um caso raro. O medicamento usado para limpar o sangue de Taylor daquela droga o faria despertar em algumas horas, mas haviam se passado mais de 12H e nada de ele acordar. Por outro lado, Rachel pensava que Taylor precisava desse descanso. Isaac olhou para ela e acenou para que ela o acompanhasse.
-Então? – Indagou assim que ela fechou a porta do quarto, onde Taylor “dormia”.
-Bia não estava lá e Amanda também não. – Rachel suspirou. – Liguei para Angelina, mas ela não atendeu.
-Droga! – Isaac levou a mão no cabelo, exasperado.
Rachel encarou-o mordendo os lábios, mas não disse nada e virou-se de costas. Sentindo-se terrível, no entanto, preocupava-se com o estado de Bia. Aquilo não foi premeditado. Ninguém esperava que Ramon fosse capaz de arquitetar algo tão… Baixo. Depois do que aconteceu no escritório, Rachel receava que o plano de Bia houvesse mudado.
-Acho melhor você ir descansar Ike! – Rachel virou-se para ele e depositou a mão em seu ombro. – Eu fico aqui e espero ele acordar.
-Não! – Isaac respondeu de imediato. – Eu sou irmão dele, não é justo você deixar o conforto e seus filhos sendo que não tenho nada com que me preocupar. Vá e qualquer coisa me ligue.
-Homens! – Rachel beijou-o no rosto e afastou-se. – Me liga assim que ele acordar.
-Está bem! – Isaac voltou para o quarto.
***
-Mas que diabo! – Ramon vociferou desligando o celular e virou-se para Angelina. – Ela não atende.
-Ela quem Ramon? – A mulher indagou, embora soubesse de quem se tratava.
-Sua filha, quem mais poderia ser? – Ramon caminhou até o bar e encheu o copo com uísque.
-Que assunto importante tem a tratar com ela? – Angie continuava se fazendo de ofendida.
-Não é da sua conta! – Ramon virou-se bebendo de uma vez o conteúdo do copo e aproximou-se da mesa no centro, levou a mão no bolso da calça e tirou um cigarro, acendeu-o e um odor forte inundou a sala.
-Se trata da minha filha, quero saber o que? – Angie foi até ele e pegou o cigarro de sua mão. – Ande, diga o que é de tão importante que você não para de ligar para o celular dela.
-Soube que ela e Taylor separaram-se! – Ramon pegou o cigarro de sua mão e tragou profundamente.
-Não me diga! – Angie esboçou um enorme sorriso e o abraçou. – Que ótima notícia! Mas o que houve? Bia me parecia apaixonada quando a vimos em sua casa e Taylor sentia o mesmo, pelo que vi em sua expressão.
-Era fogo de palha, ela caiu em si. – Ramon então riu. – Mas se quer mesmo saber o que aconteceu; Taylor a traiu diante de seus olhos.
-E como soube de tudo isso? – Angie arqueou a sobrancelha e suspirou. – Pobrezinha! Minha filha deve estar muito triste.
-Ela me ligou! – Pelo tom de voz que Ramon falou, Angie percebia que ele mentia. Suspirou consternada. – Disse que viria para cá e até agora não chegou ainda. Se aquele… Aquele crápula tocar nela mais uma vez, eu acabo com a raça dele.
-Ramon! – Angie tentou pensar em alguma coisa. – Por que não pede para John ir até o apartamento de Bia verificar o que está acontecendo? Tenho certeza que eles não suspeitarão da visita inusitada.
-Boa idéia Angie! – Ramon voltou a se concentrar no celular e deu as costas para Angie. Menos detalhista do que foi com a mulher, ordenou que John fosse visitar Bia, assim que a ligação terminou, ele virou-se para Angie. – Não é possível que depois do que Taylor fez com Bia, ela pudesse ter perdoado-o?
Não houve tempo para a resposta de Angie, pois o celular de Ramon tocou e isso o obrigou a sair da sala para atender a ligação misteriosa. Angie sentou-se no sofá e apoiou a cabeça, descansando, fechou os olhos. Precisava pensar. Ramon não era mais o mesmo homem e muito menos, era o marido com quem se casou anos atrás. Seu amor por ele, a cada dia que passava diminuía e Angie se via numa encruzilhada, no entanto, ela sabia o que ele havia feito a Bia e não conseguia acreditar, por um momento, mas as evidências… John a preveniu o que iria acontecer, mas não entrou em detalhes. Na verdade, ninguém dizia nada a ela, mas estava farta de caminhar no escuro, de fingir que nada de ruim realmente acontecia. Ela sabia que Ramon não era o mesmo desde que o caso da menina Manuella foi para suas mãos, entretanto, ela confiava nos julgamentos do marido, até… Hoje. Ela despertou e percebeu que Ramon não voltou para a sala. Levantou-se, foi até o andar de cima, procurou a bolsa e saiu. Iria desvendar aquilo de uma vez por todas. Se não por ela, mas por Bia.
***
Assim que Taylor abriu os olhos, ele sentiu uma pontada forte na cabeça. Resmungou um gemido de dor e levou uma das mãos na cabeça, em um gesto inconsciente. Não reconheceu o lugar onde estava, embora estivesse escuro, a luz que penetrava pela janela, mesmo escassa, ajudou-o a enxergar alguma coisa. Olhou ao redor e viu que tinha alguém ali, deitado no sofá. Imediatamente reconheceu o irmão. Sentiu pesar. Bia não estava ali e ele jurava que… Suspirou e mexeu-se na cama desconfortável. Seus movimentos despertaram Isaac, que imediatamente se levantou.
-Taylor! – O irmão mais velho disse ao se aproximar. – Como está se sentindo?
-Sinto que um caminhão passou por cima do meu corpo! – Taylor mexeu novamente o corpo, numa tentativa de se levantar, no entanto, viu tudo em volta girar diante de seus olhos. – Por quanto tempo eu dormi?
-Um dia e algumas horas! – Isaac não se importou ao ouvir as imprecações que Taylor disse em seguida. – Quer beber água?
-Por favor! – Taylor fechou os olhos. – 24 horas! – Murmurou apreensivo.
-E mais algumas horas, não esqueça! – Isaac precisou caçoar!
-Não brinque numa hora dessas! – Taylor achou melhor repreender o irmão – E eu me lembro de “TUDO” – essa ultima palavra ele enfatizou.
-Tudo? – Isaac não compreendeu.
-Sim, tudo! – Taylor deixou o irmão ajudá-lo a se levantar e sentar-se direito na cama. – Foi Amanda que roubou o DNA.
-DNA? – Isaac achou que o irmão estava delirando, mas, antes que comentasse algo, entendeu a que se tratava. – Você está querendo dizer que ela roubou o DNA?
-Não apenas isso! – Taylor bebeu a água, mas antes olhou o braço, onde recebia soro. – Por que tudo isso?
-Você precisava se hidratar. – Isaac caminhou pelo quarto para pegar uma cadeira e ficar mais perto de Taylor, esperou que este falasse mais alguma coisa, mas não foi o que aconteceu. – Taylor, preciso que você me explique o que significa isso. Se for verdade, podemos colocar Amanda atrás das grades e…
-Não temos como provar. Vai ser minha palavra contra a dela. – Suspirando, Taylor estendeu o copo vazio para o irmão. – Mas agora eu me lembro. Foi ela quem roubou, ela havia me drogado.
-Mas por que ela fez isso? – Isaac estava custando a acreditar. – Ela era sua noiva e dizia amar você!
-Não está óbvio pra você? – Taylor forçou um sorriso malicioso para Isaac. – Ela é amante de Ramon.
Ficaram em silêncio por alguns instantes, cada um em seu pensamento. Taylor olhou para a face do irmão e fechou os olhos. Isaac não havia tocado no nome de Bia. Taylor levou o olhar para as próprias mãos e começou a brincar com a aliança no dedo. Aquela jóia parecia pesada, mas não no dedo anelar e sim, no peito. Olhou novamente para Isaac e este parecia saber o que estava pensando. Taylor percebeu que o irmão ficou carrancudo, no entanto, não esperava pelo que o irmão disse.
-Ela sumiu! – Isaac disse com uma voz abafada, mas para Taylor pareceu alta demais.
O gelo invadiu seu peito e em seguida, espalhou pelo corpo todo, congelando-o por alguns instantes. Não percebeu que estava prendendo a respiração, que automaticamente, tirou a aliança do dedo e a apertou na mão, ou que uma lágrima deslizasse por seu corpo. Nada que acontecia ele notava, apenas, deixava a imagem dela, triste, com lágrimas dos olhos, encarando-o seminu extasiado e satisfeito, após ter uma ótima relação sexual. De repente começou a tremer, a imagem dela se desvaneceu e um grunhido agudo escapou de sua garganta.
-Ramon não pode me vencer assim! Não vê, Bia está com ele. – Taylor de repente, sentiu o corpo reagir e uma força dominá-lo, praticamente enxotá-lo da cama. Ele não se importou quando sangrou o braço ao tirar o cilíndrico do soro.
-Taylor… – Isaac tentou pegou em seus ombros. – Pare Taylor!
-Não, eu preciso falar com ela! – Taylor afastou o irmão e caminhou pelo quarto. Sentia o sangue fervendo pelo corpo todo.
-É melhor dar um tempo pra ela, Taylor! – Isaac se viu sem saída. – Você ainda está em observação.
-Que se dane. Eu vou encontrá-la. – Taylor viu uma sacola sobre uma mesa e a pegou. – São minhas roupas?
-É claro, não ia querer que você mostrasse sua masculinidade quando saísse daqui. – Isaac foi até o irmão. – As enfermeiras iriam me esquecer assim que o visse. – Isaac percebeu que Taylor não deu importância para sua brincadeira e suspirou. – Escute Taylor. Essa hora você não vai conseguir nada, são mais de meia noite e não acho isso uma atitude prudente, vai ser mais um motivo para Ramon agir contra você!
-Você não entende Ike! – Taylor virou-se para o irmão mais velho, com os olhos suplicantes. – Eu preciso saber onde ela está.
-Eu acho que John pode ajudá-lo, no entanto, eu não consegui contatá-lo.
-Ela… – Taylor pausou e suspirou. – Nem ao menos entrou em contato?
-Nada! – Isaac suspirou. – Ela não foi ao seu apartamento depois daquele… – Pensou na melhor maneira de se expressar, mas não sabia como – incidente, como esperei que fizesse. Quando fui até seu apartamento, verifiquei que tinha muitas roupas e o segurança disse que ela não foi até lá.
-Mas pode ter ido hoje! – A expressão de Taylor iluminou-se, esperançosa. – Ela deve estar lá a minha espera.
-Não, Taylor. Pedi a cada um dos porteiros, seguranças e vizinhos que me ligassem se tivessem notícia. – Isaac não sabia fazer outra coisa a não ser suspirar e foi o que fez antes de continuar. – Ela desapareceu!
-Você tentou falar com a Angelina? – Taylor começou a andar de um lado para o outro.
-Não, mas Rachel sim e não conseguiu contatá-la também.
-Eles a levaram pra longe, mas onde? – Taylor se virou para o irmão e estendeu a mão ao se lembrar que havia uma pessoa a quem, com certeza, Isaac ou Rachel houvesse tentado conversar. – Me dê meu celular?
Isaac o que ele pediu e foi até o sofá, reparando na expressão do irmão. Quando este começou a falar ansiosamente, mas sem entrar em detalhes sórdidos, Isaac reparou nas mudanças e percebeu que realmente não haviam entrado em contato com o avô de Bia. Ele ouvia as perguntas uma atrás da outra de Taylor. Bia foi para a Inglaterra? Foi para a casa de um parente? O senhor não sabe mesmo de nada? Em seguida, a expressão decepcionada do irmão. Era como Isaac havia dito, Bia sumiu e não entrou em contato com ninguém a quem Taylor pudesse falar e Isaac pensou que Taylor estivesse compreendendo que a filha estava nas mãos do pai.
Consternado, Taylor desligou o celular e olhou o irmão. Sem dizer uma palavra, ele caminhou até a sacola de roupa e começou a se trocar. Isaac não disse nada para interrompê-lo. Pela expressão do irmão, ele não faria nada até o dia amanhecer, no entanto, não conseguia imaginar o que Taylor ia fazer, exatamente.
-Me leve pra casa! – Taylor disse com uma voz refletida de emoção. Percebia o quão triste estava. – Preciso ficar algumas horas, sozinho.
-Não sei se é bom, você não se recuperou ainda! – Isaac se levantou e levou as mãos nos bolsos.
-Eu estou bem. O efeito da droga passou e não estou desidratado. – Taylor vociferou. – Se não me levar pra casa, eu pego um taxi, nunca precisei de ninguém mesmo.
-Precisa agora, Taylor! – Isaac retesou os ombros. – Não haja como uma criança mimada. Vou te levar pra casa, mas não afaste novamente a família de você, sendo que não temos culpa. – Isaac dizendo isso, caminhou até a porta e saiu, batendo-a.
-Diabo! – Taylor murmurou e levou a mão no cabelo, espalhando-o. Isaac não o entendia, mas como poderia? Não sabia o que ele estava sentindo, pois nunca teve essa capacidade.
Ao entrar no apartamento, Taylor percebeu o erro que cometeu. Deveria ter pedido para Ike levá-lo a um hotel. Seu apartamento estava cheio de lembranças, mesmo que vivendo tão poucos momentos ali. Mas ele recordava-se de Bia em todo lugar, em cada canto. Caminhou lentamente pelo apartamento, silencioso, espaçoso, no entanto, muito sufocante. Ele foi até o quarto. Tudo estava como havia deixado na manhã do dia anterior. Ainda sentia o perfume de Bia. Olhou a enorme cama, o espelho no teto. Adorava fazer amor naquela cama. Sexo com Bia nunca era demais. Seu corpo encaixava perfeitamente no dele. Eram feitos um para o outro. Quando a tocava, sentia uma magia diferente que nunca sentiu com outra mulher e ele teve tantas, mas nenhuma delas foi capaz de fazê-lo estremecer, de sentir o coração inundar de alegria e qualquer outra sensação, impossível de descrever. Isso era amor e era por isso que sentia-se derrotado. Jogou-se na cama e deixou o braço sobre os olhos, adormecendo em seguida. De repente, seu corpo ficou cansado e a mente parava de funcionar. O rosto de Bia foi à última coisa que penetrou sua mente antes cair em sono profundo.
***
-Meus planos não correram como tinha que ser! – Ramon entregou uma taça à mulher a sua frente. – Entretanto, em partes posso dizer que deu certo. Bia e Taylor estão separados.
-Somos ótimos juntos, já disse! – Com uma voz sensual, corpo esbelto com curvas generosa e lábios maliciosos, ela arrastou-se pela cama e grudou o corpo no dele, totalmente nua. Ramon estremeceu. Essa mulher o instigava sexualmente.
-Amanda, já aproveitamos nossa noite, não tenho muito tempo. – Ramon a olhou um instante. – Minha esposa me espera.
-Eu sei querido. – Amanda beijou seu pescoço. – Ela o espera todos os dias! – Ela acariciou seu peito e deslizou a mão. – Pensei em uma coisa. – Ela voltou a beijar-lhe o pescoço.
-Sim! – Ramon se dignou a dizer. Seu corpo correspondia às investidas da esbelta Amanda. Mas queria saber o que ela pensou, a garota era muito boa com planos.
-Taylor saiu do hospital e deve procurar por Bia, como você disse e como não consegui achar os malditos documentos, você podia fazer uma troca Bia pelos documentos.
-Mas ele vai querer vê-la. – Ramon suspirou.
-É só criar uma emboscada. – Amanda mordiscou seu pescoço. – Finja que vai levá-lo até ela e aí, você toma os documentos dele e o joga em algum lugar.
-Não sei! – Ramon disse pensativo. – Não seria arriscado?
-Não, se você entrar em contato com ele na véspera e marcar um encontro com ele faça-o de isca, meu amor! – Amanda deslizou a língua por seu ombro.
-Agora começou a ficar interessante! – Ramon se levantou e foi até a mesa, deixando a taça sobre ela, virou-se para Amanda e tirou o roupão, mostrando o dorso nu, excitado como estava não teve paciência para as preliminares.
***
Três dias haviam se passado desde aquele incidente. Bia se sentia mais sozinha do que já esteve na vida. A única coisa que sabia fazer era dormir, dormir e dormir. Seu estado era delicado. O bebê exigia que ela dormisse. Sentia pouca fome e se alimentava pouco. John vinha todo dia de manhã para trazer café, almoço e janta, mas ela não queria saber de nada. Ele contava a ela as novidades, que não eram muitas e Bia tinha pouco interesse em ouvir. A vida dela estava um caos e tudo havia virada de cabeça para baixo. Não havia mais chance para eles. Pelo menos, ela teria um filho que a lembraria dos momentos mais felizes que teve ao lado de Taylor. Será que realmente foram felizes ou tudo foi de mentirinha?
Bia inúmeras vezes rememorava o que tinha acontecido desde que conheceu Taylor. Será que ele havia usado-a para conseguir se vingar de seu pai. Só de pensar nisso, seu peito ardia desesperadamente. Ela conseguia ouvir nitidamente, o gemido do êxtase do Taylor quando adentrava sua sala. Não, aquilo não era mentira e o mesmo êxtase que ele demonstrara com ela, Amanda também recebera. Para Bia não adiantava ficar se perguntando ou se martirizando, a verdade estava ali, diante de seus olhos. Taylor não a amava, entretanto, a razão e o coração não concordavam com isso. Claro, o coração queria satisfação, queria Taylor do seu lado, mas não existiria mais.
Ela se levantou da cama e vestiu o roupão. Logo John chegaria e mais uma vez, estava preparada para não ouvir o que ele tinha para falar. Na verdade, ela nunca prestava atenção. Tomou um banho e vestiu novamente o pijama que John havia comprado pra ela. Caminhou pelos cômodos e assim que chegou a sala, a campainha tocou. John era sempre pontual. Suspirou e caminhou até a porta para atendê-lo. Esperava que seu aspecto aparentasse melhor que o dia anterior, mas como poderia se passou a noite e o dia inteiro chorando, sem poder sair, pois estava proibida de andar pela rua se queria preservar a própria vida? A única coisa que restava-lhe era dormir e chorar, ou comer, ou vomitar!
-Bom dia! – John entrou com pacotes e parecia extasiado. – Tenho boas notícias.
-Que incrível! – Bia disse sem entusiasmo e pegou as sacolas das mãos dele. – O que trouxe para mim hoje?
-Tudo o que acho saudável para uma mulher grávida. – Bia foi para a cozinha, sem prestar atenção que ele estava contente demais.
-Acho que hoje podemos conversar! – John se sentou na cadeira e ficou a olhando, Bia resmungou e John entendeu como um incentivo para prosseguir. – É sobre Taylor, Bia.
Bia retesou as costas e parou de mexer nas sacolas. Apoiou as mãos na pia e fechou os olhos. Somente em ouvir seu nome muitas sensações a invadia, principalmente amor e ódio. Como podia sentir ambas as coisas por uma única pessoa?
-Eu quero lhe falar sobre aquele dia, acho que hoje você poderá ouvir melhor sobre o que aconteceu! – Bia inspirou profundamente e se virou.
-Está muito claro o que aconteceu, John. Não precisamos falar sobre isso. Eu entendi tudo. – Bia disse calmamente.
-Mesmo? – John pareceu não acreditar, então viu a garota assentir e ele suspirou aliviado.
-Não tem por que você se preocupar. Eu sou uma mulher já, não mais uma criança pra agir com infantilidade. Eu compreendi tudo. Só não quero falar sobre isso e quero que me respeite.
-Então nossos planos continuam, não é? – John indagou observando seu rosto, por um momento, chegou a duvidar do que Bia estava falando.
-Certamente, e meu pai cometeu muitos erros, não posso deixar que ele saia impune e ganhe dinheiro sujo.
-Ok! – John se levantou. – Hoje vim tomar café da manhã com você. – John foi até a geladeira vasculhar o que sobrou do jantar da noite anterior e estremeceu. – Você não comeu nada, Bia? Quer matar seu bebê?
-É claro que não, John! – Bia estava de mau humor e John parecia extremamente contente. – Eu só preciso de um tempo pra me recuperar.
Eles tomaram o café conversando amenidades. Bia começou a rir e sentiu que seu corpo relaxava. John dizia que logo esse clima descontraído iria voltar, pois tudo estava encaminhando como eles haviam previsto e muito mais, o que ele não revelou a Bia de momento.
-Então ela está cedendo! – Bia murmurou. – Pobre mamãe. Sua preocupação comigo é maior do que a lealdade para com papai.
-Sim! – John suspirou. – Eu sabia que ela cederia mais cedo ou mais tarde.
-Você consegue imaginar o próximo passo de papai agora? Eu não consigo John! Agora não sei o que ele será capaz de fazer, se não conseguiu os papéis que queria.
-Eu temo por Taylor! – John sentiu-a tensa quando disse. – Eu espero saber o que acontecerá imediatamente. – John pegou em sua mão. – Fico contente por saber que você pediu a Taylor para que deixasse os papéis com o irmão, Bia. Juro que eu não sabia da existência desses documentos. Eles são mesmo importantes?
-Claro que são. São provas valiosas, não contra meu pai, mas contra aquele maldito homem.
-Ainda bem que o maldito está preso. – John murmurou e pegou em sua mão, levando-a aos lábios. – Minha menina, está tudo saindo como combinamos. Ramon está confiante agora e acha que poderá destruir Taylor de todas as maneiras. Deixando-o fraco por não ter você, ele usará meios de persuadir Taylor. Tenho certeza. Só espero que ele não faça alguma bobagem.
-Sim, está tudo dando certo! É um ótimo meio de fazer justiça. Usando a própria armadilha contra eles. – Bia suspirou pensando em seu plano.
Quando encontrou John e ficou sabendo do relacionamento de Amanda e Ramon, soube o que deveria fazer para ajudar Taylor. Amanda não desistiria de Taylor e faria qualquer coisa para acabar com o relacionamento dos dois. Bia sabia que os pais tinham as provas roubadas, Ramon, principalmente ele não seria tolo de eliminar a única arma contra o assassino, David Born. Se o homem desse um passo em falso, seu pai usaria aquela arma contra ele e isso envolveria ”mais” dinheiro, Bia sabia. O sucesso repentino da carreira do casal Carter tinha sido conquistado através de jogo sujo e Ramon, só escolhia homens com muita grana e casos difíceis que estava na mídia. Isso significava sucesso garantido.
Quando Bia procurou John para conversarem logo após o casamento, ela já tinha uma vaga idéia do que iria acontecer. Era a única pessoa que conhecia muito bem seu pai. Nem mesmo Angelina era capaz de compreendê-lo, mas quando pequena até chegar à idade adulta, Bia o admirava, aprendia tudo sobre seu pai, pois queria ser como ele, então, sabia como ele agiria ou como pensaria até aquele momento. Todos os passos que ela calculara de Ramon realmente aconteceu, houve alguns imprevistos quanto a Zac e Elizabeth, mas o restante, ela sabia que tudo tinha dado certo. Sobre Amanda, ela sabia que obedeceria, Ramon. Ela estava de olho na fortuna de Taylor.
Bia soube logo no inicio que precisaria se separar de Taylor para conduzir a única pessoa que se preocupava com seu bem estar a entregar a prova roubada na primeira vez e John estava conduzindo para que isto acontecesse. Só faltava isso e logo tudo daria certo, como haviam combinado. Bia sabia que ela no fundo, se preocupava com seu bem estar. E por que não dizer a Taylor o que estava acontecendo? Ele a proibiria estava muito claro isso. Então, resolveu agir sozinha, mas foi melhor assim, pois quando ele soubesse pelo menos se sentiria humilhado por que uma mulher arquitetou tudo e quanto a ele, praticamente nada. Tinha de magoá-lo e nada melhor do que ferir seu orgulho.
Bia se despediu de John e foi para o quarto, pensativa. Depois da conversa com John, finalmente, menos aérea, parecia que as coisas estavam melhorando, quase tudo, claro. Sabia agora que Zac e Elizabeth estavam bem, será que Taylor sabia disso? Não podia se preocupar mais com o que ele pensava, na verdade, só de pensar nele, seu coração ardia de ódio, rancor e amor. Bia sabia que sentia tudo ao mesmo tempo, não tinha como evitar tais sentimentos.
Havia uma coisa que ela e John enganaram-se. Quando achavam que Bia pegaria Taylor no flagra, seria em um beijo com Amanda e não em uma cena horripilante como aquela e agora aquilo tudo provava a Bia que fora usada para ofender seu pai, mas ela já não se importava mais e não mais precisaria ficar preocupada com a decepção nos olhos de Taylor quando soubesse que ela trabalhara sozinha para ajudá-lo a ganhar a causa e o fizera sofrer sem necessidade por ter sumido.
Sofrer? Ele jamais sofreria por causa de uma mulher, principalmente ela. Taylor não amava nenhuma em especial, queria apenas o sexo e usava cada uma das mulheres a seu favor e Bia foi à da vez. Ela queria tanto que ele pelo menos tivesse sofrendo um pouco, como ela estava. Por que eles tinham que se casar? Agora casados, tudo piorava sua situação. Teriam que se encontrar mais cedo ou mais tarde para a separação, mas até lá, ela estaria preparada para encará-lo. Bia olhou para a aliança que estava sobre a penteadeira. Estava muito óbvio agora por que Taylor decidiu se casar. Casou-se com ela por que estava grávida e se não fosse por isso, eles não teriam se casado as pressas e muito menos, teriam pensado nessa hipótese. E toda aquela conversa fiada dele… Bia suspirou, estava ficando nervosa novamente e isso agitava o bebê.
Mas pensar em tudo isso a magoava. Desde o começo, ela tinha certeza que Taylor era um homem diferente, embora ele a desejasse muito, no entanto, ele parecia respeitá-la. Ele realmente demonstrava que gostava dela, mas… A imagem de Taylor naquela sala com uma expressão satisfeita demonstrava que ela não era importante pra ele. Por que ele tinha feito isso? Destruiu qualquer chance de ficarem juntos. Claro, ele não queria um futuro com ela. Magoada, Bia foi até a cama deitando-se. Não podia pensar mais nele, murmurou decididamente. Taylor não merecia atenção dos seus pensamentos. Talvez estivesse sozinha demais, precisava conversar com alguém, uma amiga. Pensou em Jen. O que será que ela estava fazendo? Bia desligara seu celular e estava apenas com o que John havia dado ligado, para qualquer emergência. Devia ligar? Não, melhor não, seu pai devia estar procurando por ela e Jen seria a primeira pessoa que ele estivesse monitorando, além de Taylor e Rachel.
***
Taylor subia as escadas da entrada do prédio, confiante. Havia alguns alunos por perto, ele sentia o olhar de cada um deles. A esperança de que Bia tivesse voltado para Boston crescia a cada passo que dava. Era óbvio que ela havia vindo para perto da melhor amiga. Bia não era tão imprevisível. Entrou no prédio e subiu as escadas. Fazia cinco dias que Bia estava desaparecida. Deus, como ele pôde agüentar ficar tanto tempo sem ela? Não, ele não agüentou, Taylor sentia saudades, queria ter a chance de explicar e demonstrar que a amava de corpo e alma, Bia confiaria nele. Parou diante da porta, que o recordava muita coisa. A primeira noite deles juntos. Foi nessa noite que descobriu que não haveria outra mulher em sua vida. Bia era seu par que há muito tempo, ele desistira de procurar e agora, ela escapara de suas mãos.
Ele se recordava que foi à casa dos Carter e o expulsaram de lá. Mas Taylor desconfiava que Bia não foi para lá. Ele aprendera a seguir sua intuição, só que ultimamente ela estava falhando gravemente. Mas de uma coisa estava certo, Bia não estava na casa dos pais, mas isso não impedia de Ramon estar com ela em algum lugar que ele não conhecesse, ou talvez sim e era por isso que voltava a Boston, para conversar com a melhor amiga de Bia. Jen sabia de alguma coisa, ele esperava estar certo.
Bateu na porta duas vezes e aguardou. Ninguém respondeu! Ele encostou a orelha na porta para ouvir algum som, percebeu que tinha um som baixo vindo lá de dentro e achou melhor bater de novo e mais forte. O som parou no mesmo instante e ele ouviu passos até a porta.
-Quem é? – Jen indagou, ele conhecia essa voz.
-Sou eu, Jen, Taylor! – Imediatamente a porta se abriu e a garota apareceu de olhos arregalados. A intuição de Taylor esmoreceu instantaneamente. Bia nem ao menos entrara em contato com Jen! Deus, onde estava ela?
-O que você está fazendo aqui? – Por estar nervosa, Taylor notou o sotaque inglês da garota, que antes não havia percebido.
-Ela sumiu! – Taylor entrou no quarto sem se preocupar em pedir licença, olhou ao redor e constatou que havia apenas indicio de que apenas uma pessoa habitava aquele lugar. – Aconteceram algumas coisas e ela está muito zangada comigo.
-Ela me ligaria Taylor! – Jen sentou-se na cama abismada. – Nós sempre fomos confidentes, tenho certeza que ela me procuraria se estivesse zangada com você. Faz quantos dias que ela desapareceu?
-5 dias! – Assim que Taylor a respondeu, o rosto de Jen se transformou para preocupação.
-Eu vou tentar ligar para os pais dela, John talvez saiba de alguma coisa.
-Faça isso. – Taylor caminhou pelo quarto, olhando alguns porta-retratos onde tinha fotos de Jen e Bia em algum lugar que ele não conhecia, ou fotos de Bia, Taylor e Jen no dia do casamento.
Ele escutou a conversa de Jen com John, depois com a mãe de Bia e em seguida, com o avô. Ninguém sabia onde ela estava! Agora, tudo passava pela cabeça de Taylor. Ele percebeu que Jen não se deu o trabalho de ligar para Ramon. Na verdade, ninguém iria querer falar com ele, no entanto, pelo que percebeu Angelina também estava à procura da filha. Isso o confundiu um pouco, mas ele recordava, de uma conversa que tivera com Bia. Sua mãe parecia aceitá-lo, talvez não estivesse envolvida nisso como Taylor pensou. Suspirou desanimado. Não queria ter que anunciar a policia, mas seria necessário.
Só havia um motivo para Bia estar desaparecida assim. Ramon iria usar isso contra ele. Assim que se despediu de Jen, Taylor entrou no carro alugado e discou o número de Isaac. Era aquilo que Ramon queria e ele daria para ter Bia de volta. Pouco importava o caso se não a tivesse. Ele já estava enlouquecendo de saudade, de nervosismo e medo. Bia estaria furiosa com ele? Será que ela estava bem? O estado dela era tão delicado. Ramon não podia ter feito isso! O desgraçado devia estar ciente que qualquer coisa que fizesse com a filha, prejudicaria o bebê. Enraivecido, Taylor seguiu para o aeroporto.
Logo que chegou à cidade, Taylor foi até a casa de Amanda. Ele pedia em pensamentos para controlar a vontade que tinha de esganá-la. Tinha tantas duvidas ainda sobre o envolvimento da ex, no entanto, não tinha tempo para fazer perguntas. Sua prioridade, no momento, era encontrar Bia e esclarecer tudo. Assim que o taxista parou o carro diante da casa dela, Taylor sentiu o sangue ferver intensamente nas veias. Precisou se controlar alguns minutos para seguir adiante. Tocou a campainha e aguardou impacientemente alguém atender. Assim que a viu abrir a porta, empurrou-a e entrou, ouviu um comentário desagradável, mas não se importou ou se deu ao trabalho de revidar, embora ela merecesse. Virou-se pra ela assim que a ouviu fechando a porta.
-O que faz aqui Taylor? – Ela estava bastante tranqüila. Vestia uma camisola transparente, os cabelos estavam soltos nas costas. Antigamente, Taylor sentiria alguma atração, mas neste momento sentiu repulsa. Como poderia ter agüentado essa mulher tanto tempo?
-Onde ela está? – Taylor deu dois passos e ficou a alguns palmos de distância dela. Amanda se retesou e olhou para cima, pois ele era bem mais alto que ela.
-Quem? – Amanda cruzou os braços, fingindo não entender a quem ele se referia. Tudo a desfavorecia e a vontade que tinha de esganá-la, aumentava.
-Bia! – Ele inspirou três vezes para não avançar sobre ela ou fazê-la engolir aquele cinismo.
-Não sei do que está falando?! – Amanda suspirou e levou as mãos no peito dele. – Não precisa inventar desculpas para me visitar, sabe que isso não é necessário! – Taylor arqueou a sobrancelha, pasmado. Amanda não percebia que ele se lembrava de tudo?
-Para de cinismo! – Taylor afastou as mãos dela e foi direto ao assunto. – Proponho uma troca! – Ele se virou e caminhou pela sala. – Naquele dia, na minha sala, você procurava algo. – Ouviu um som irreconhecível, mas ele sabia que era dos lábios dela. Não estava esperando por aquela declaração, Taylor percebeu. – Eu te dou, se você me disser onde Bia estar.
-Do que você está falando? – Amanda se aproximou dele e tocou em seu ombro fazendo-o se virar.
-Para de mentir pra mim, Amanda. – Taylor bateu em sua mão com desdém e afastou dela. – Eu sei de tudo. Eu queria saber, por que você não impediu meu casamento, já que você estava lá e sabia que Ramon a procurava.
-Não sabia que ela era a filha de Ramon, soube depois e já era tarde demais. Você se casou muito rápido.
-Mas eles não esperavam quando a encontraram após o casamento. Ou foi interpretação tudo aquilo? – Taylor enrugou a testa, percebendo que tinha muitas perguntas sem respostas.
-E o que isso importa agora? – Taylor percebeu as mãos dela tremulas e achou isso muito esquisito.
-Importa muita coisa. – Taylor se aproximou dela e a pegou nos ombros chacoalhando. – Acho melhor você me falar, senão, irá se arrepender.
-Quando você e Bia se casaram, eu e o Ramon estávamos afastados, ele andava ocupado. Nós não havíamos nos encontrado mais desde aquela época.
-Ah! – Taylor riu cinicamente. – Você está me dizendo que deixa Ramon usar você dessa maneira ou está se fazendo de vitima?
-O que importa isso? A escolha é minha! – Amanda ergueu o queixo, demonstrando sua arrogância. – Já que agora esclarecemos as coisas, o que você veio fazer aqui?
– Quero Bia pela prova que eu tenho e não contarei nada a seu pai. – Olhou-a da cabeça aos pés. – Tenho como provar o que você fez contra mim e sei que você não quer arruinar seu pai ou perder o dinheiro que recebe todo mês. – Taylor estava irritado, não agüentava mais ficar ali e acho que seria melhor ir embora logo, Amanda não merecia mais do seu tempo. Sem aguardar pela resposta dela, ele caminhou até a porta, mas antes de sair, se virou para ela e aproveitou para intimá-la. – Avise a Ramon, assim que me encontrar com Bia, eu prometo que esquecerei o caso e o deixo vencer mais uma vez, mas se não receber o telefonema em algumas horas, eu tenho certeza que posso usar a armação de vocês para pôr por fim, aquele assassino atrás das grades pelo resto da vida e acabar com a carreira dele. Eu tenho certeza que vocês não esperavam por isso. – Taylor olhou-a mais uma vez, sorriu e saiu.
Assim que o viu sair, Amanda sentiu um arrepio atravessar seu corpo. Desde quando Taylor dominava a situação? Seu plano estava dando certo em algumas partes, mas em outras… Lembrou-se de seu pai. Se ele soubesse o que havia feito, ela não teria mais dinheiro algum, estaria arruinada. Suspirou e subiu até seu quarto, precisava entrar em contato imediatamente com Ramon. Ele saberia o que fazer! Tinham que dar um jeito de atrasar os planos de Taylor! Pegou o telefone e discou, assim que Ramon atendeu trêmula, ela disse a primeira coisa que veio em sua cabeça.
-Teremos que pensar em outra coisa para fazer. – Amanda suspirou. – Taylor se lembra de tudo.
-Isso não nos impede de continuar o plano, Amanda. – Ramon disse exasperado. – Tenho certeza que ele irá se esquecer quando o pegarmos.
-Você não entende Ramon, se fizermos alguma coisa, Taylor vai entregar isso a policia e tudo o que planejamos podemos perder.
-Não tem ninguém que ele possa confiar aqui, aquele irmãozinho dele está sumido com Elizabeth. Não se preocupe! Taylor não tem ninguém a quem confiar.
-E o Isaac?
-Fique tranqüila, Taylor vai agir sozinho assim que ligarmos para ele. Agora, preciso desligar, Angelina acabou de chegar.
-Eu não quero mais fazer parte disso, Ramon. Meu pai está prestes, a saber, de tudo e sabe o que isso significa? Não terei mais dinheiro algum!
-Você não precisa do dinheiro de seu pai, minha querida. Eu posso te dar tudo o que quiser. – Ramon disse impaciente. – Descanse, amanhã teremos um dia cheio. Espero você no horário combinado.
-Está bem! – Amanda suspirou e desligou o celular.
Ramon tinha o dom de acalmá-la. Sabia que assim que tudo isso terminasse, ele faria o que prometeu e se separaria de Angelina, para ficar com ela. Tudo ia dar certo. Ela confiava nele!
***
-Você tem certeza disso? – Indagou Isaac entregando a pasta para Taylor.
-Claro que eu tenho. – Taylor suspirou. – Você tem certeza que parece com a original?
-Fiz como me pediu. – Isaac se sentou no sofá e Taylor fez o mesmo. – Eu ainda acho que devia ir com você.
-Não, é melhor você ficar fora disso, Ike! – Taylor olhou o irmão nos olhos. – É melhor você não ficar aqui hoje, com certeza virão atrás de você.
-Às vezes queria ser otimista como você. Tinha certeza que eles iriam ligar! – Isaac tinha um tom de admiração na voz.
-Minha intuição dizia que era o certo a ser feito.
-E se acontecer o contrário do que você pensa? – Isaac indagou apreensivo. – Pelo menos me dê o endereço do local. – Isaac pediu.
-Quando estiver chegando lá, eu te mando por celular. – Taylor se levantou e foi até a janela. – Se Ramon tentar me enganar, vai se assustar ao saber que estará sendo enganado.
-Eu ainda acho que ele está blefando.
-É minha única chance de saber.
-Você devia temer pela sua vida.
-Não, Ramon não faria isso na véspera do julgamento. Se ele fizer isso, sabe que não verá a sua conta do banco crescendo.
-Está bem, não vejo outra maneira de te convencer a não ir. Assim que voltar, vai à casa de Rachel, estarei lá.
-Está bem! – Taylor continuou admirando a rua, praticamente deserta. Fazia poucas horas que tinha recebido o telefonema. Tinha alguma coisa errada, ele sentia isso. Só não sabia se tinha a ver com o plano ou com Bia.
Taylor foi até seu apartamento se preparar para o que aconteceria. Para ele era tudo ou nada. Ele sabia que havia alguma coisa errada. Ramon demorara muito tempo para ligar e isso já era um péssimo sinal. Na verdade, tinha alguma coisa errada naquela ligação, mas ele não conseguia identificar, no entanto, não tinha outra escolha, tinha? A verdade era que estava desesperado e faria qualquer coisa, mesmo que sua intuição dissesse que tudo aquilo seria em vão, mas não tinha escapatória. Ele não conseguia ficar mais um minuto sem vê-la, abraçá-la. Taylor queria apenas uma chance para conversar. Se Bia desse as costas a ele, entenderia. Pelo menos, saberia o quanto estava chateada e quando passasse tudo isso, daria a chance a ele. O fato era que Taylor desconfiava que nunca mais a veria. Precisava olhar pra ver se estava bem, se o bebê deles estava saudável ainda. Não era normal que ela sumisse e não esperasse para discutirem, para gritar com ele. Era aí que entrava Ramon. Por isso estava tão desconfiado de tudo isso. Se ele dizia estar com Bia, provavelmente faria dela refém e se tudo desse errado… Taylor temia por ela e o bebê.
Suspirou ao se aproximar do quarto. Sua cabeça estava fervendo. Nunca tinha feito tanta suposições em toda sua vida e parecia que o quebra cabeça, embora ele estivesse juntando as peças, não chegava nunca a completá-lo. Faltava algo e Bia era sua resposta. Vestiu uma camisa azul escuro, colada nos braços. Se lembrava que Bia havia gostado muito e apalpado seus braços. Tudo que os envolvia era tão sensual. Qualquer encontro de olhares, a maneira como ela mordia os lábios, ou como andava. Tudo era sensual quando estavam juntos! Mas havia mais. Companheirismo. Amizade. Confiança. Amor. Enfim, tudo o que eles precisavam para ser um casal feliz. Mas por que, mesmo tendo certeza que seu plano podia dar certo, Taylor sentia um imenso vazio no peito?
Ele saiu do quarto e caminhou até a sala. A presença dela ainda estava ali. Era como se tivesse observando-o de longe. Taylor pegou a mochila que estava no sofá, verificou-a e saiu. Era tudo ou nada. Dizia em pensamentos. Precisava confiar em si mesmo. Se tudo desse errado. Ramon não sairia tão bem em tudo isso. Ele não sabia que estava caminhando para o fundo do poço.
Quando Taylor chegou ao local praticamente abandonado. Olhou o barracão em ruína e sentiu um arrepio. Tudo era assombroso demais. Já era tarde, tinha pouca iluminação e não havia uma alma viva na rua e ele esperava que não houvesse outro tipo de alma por ali, que não fosse a sua e que não fosse morta. Ele bateu a porta do carro e olhou o relógio. Estava adiantado 30 minutos. Se tudo desse errado com ele, pelo menos teria como manipular provas contra Ramon. Ele pegou o celular e discou uma mensagem rápida para o irmão, como havia prometido. Ele caminhou em volta e olhou o barracão, alto. Havia uma escada nos fundos e uma porta. Ele estreitou os olhos pensando em como Ramon iria agir. Rapidamente, ele subiu as escadas e abriu a porta. Como tinha imaginado. A porta estava aberta. Entrou no local e fechou a porta em suas costas. Olhou ao redor e encontrou um ferro grande que pudesse impedir a entrar de alguém. O colocou entre a porta e a parede, em seguida tentou abri-la. Isso atrasaria a entrada de alguém pelos fundos. Ele olhou para os lados e encontrou uma escada, enquanto descia ele mexia no celular. Não notou o barulho do lado de fora. Ele procurou um lugar que pudesse esconder o celular e que ficasse perto do meio do vagão, completamente abandonado e sem nada no meio.
Taylor chegou a pensar que Ramon devesse usar aquele local muitas vezes. Devia ser seu lugar preferido para “negociar”. Taylor achou um ponto onde pudesse esconder o celular e foi então que ele escutou barulho de portas batendo. Então Ramon tinha chegado mais cedo! E pelo jeito não veio sozinho. Taylor disse em pensamentos, enquanto escondia o celular atrás de uma madeira no chão. Logo se afastou e ficou de costa, olhando para a porta, a qual havia colocado o ferro. Ramon não esperava por aquilo.
-Ora, ora! – Ramon anunciou logo que entrou no barracão. Outros dois homens o acompanharam e em seguida, Amanda.
-É bastante pontual, Ramon. – Taylor desviou a atenção da porta a qual outros homens se esforçavam para entrar e se virou para encarar o pai de Bia. Seu olhar estava indescritível. Ninguém compreenderia o que estaria pensando. Os olhos estavam frios e cheios de desdém. Taylor nem sequer desviou o olhar de Ramon. – Trouxe o combinado e você?
Ramon apenas sorriu e desceu os olhos para a mochila que ele carregava nas costas. Amanda cruzou os braços e só assim Taylor notou sua presença. E Bia não estava entre eles, o que o decepcionou. Ele de repente sentiu o vazio no peito intensificar. Quando Bia estava perto, ele sentia sua presença, mas não acontecia ali. Ramon deu um passo à frente e ergueu a mão.
-Mostre-me o que tem na mochila.
-Preciso ver Bia primeiro.
-E se ela não quisesse vê-lo?
-Preciso saber que ela está bem! Se ela não aparecer, eu vou embora com a mochila.
-Pobre Taylor! – Ramon riu baixinho. O riso fez Taylor arrepiar-se por completo. – Ela não quer vê-lo depois do que você fez. Me dê esta mochila e o deixo passar e ir até o carro encontrá-la. Chegou mesmo a pensar que você controlaria a situação?
-Ramon! – Taylor estreitou os olhos e pareceu pensar um instante. – Você já tem as provas aqui, não vou enganá-lo. Apenas quero que me mostre Bia e podemos fazer a troca.
-Acha que faria mal a minha própria filha? – Ramon caminhou até ele e o rodeou. – Ela está bem, lhe garanto. Me dê a mochila e o deixamos ir embora com aquela ingrata.
-Certo! – Taylor jogou a mochila no chão longe dele e começou a caminhar, lentamente, até que um dos homens começou a caminhar em sua direção. Ele parou de andar e observou Ramon pegar a mochila cautelosamente, a abrir, verificar o que tinha dentro dela e tirar a pasta com os papéis que desejava, em seguida jogou a mochila de volta no chão e continuou caminhando em direção a saída. Um riso alto surgiu de seus lábios e Taylor percebeu que estava perdido. Encarou Amanda nos olhos e esta apenas sorriu antes de se virar e acompanhar o homem.
-Deixe-o inconsciente e muito machucado! Depois suma com ele e o carro. – Ramon disse antes de sair ao segurança alto e forte.
***
Bia se sentia impaciente. Na verdade, ultimamente, ela se encontrava bastante irritada. Todo esse tempo, havia tido tempo para pensar um pouco e decidir que ela que precisava conversar com Taylor. Após tudo isso acabar deveriam discutir o que seria da vida deles daqui pra frente. Ela olhou-se no espelho. Havia tomado uma decisão quanto a seu casamento. Daria uma chance a Taylor para falar e dependendo do que conversassem, poderia, não, melhor assumir a verdade, ela queria aceitá-lo de volta, se realmente estivesse disposto a ficar com ela e demonstrar que tudo o que viveram juntos não havia sido uma mentira. Não tinha notícias de John há mais de 24 horas e sabia o por que. Era dia do julgamento e ele devia estar vendo se tudo estava dando certo. Pelas expectativas da mídia, o julgamento duraria dias e John estava decidido a evitar isso. Ramon e aquele assassino vil, não mereciam tanto ibope.
Ela olhou seu ventre avantajado e o acariciou. Ela estava confiante, afinal de tudo. John havia dito que Taylor a procurava e isso queria dizer alguma coisa, afinal, não? Ele devia ter sentimentos verdadeiros para com ela e isso dava esperança a ela. Amanda havia manipulado tudo e Taylor foi sua isca. Bia queria saber como tinha conseguido e, ela ouviria Taylor, daria uma chance para ele e viveriam felizes, como uma família. Acariciou novamente o ventre e suspirou. Tinha que se arrumar logo. Em alguns minutos, o carro que John prometeu mandar, chegaria.
***
-Taylor? – Ele sentiu um toque suave em seu rosto, mas mesmo assim, a dor foi inevitável. Sua cabeça estava latejando e a claridade incomodava seus olhos ardidos. – Taylor? – Ouviu novamente aquela voz e por um instante, achou que se tratasse de Bia, mas era impossível abrir os olhos para averiguar e o tom de voz era bastante baixo, devia saber que ele tinha uma dor forte na cabeça e por isso evitava falar alto. Resmungando fez um esforço enorme para abrir os olhos. Queria verificar se era mesmo Bia que estava a sua frente.
AINNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNN
malvada!
como vc pôde parar o cap nessa parte,hein?
vc não tem dó das suas mortais leitoras????
Cara,eu demorei,mas apareci!E simplesmente amei esse capítulo! Francamente é um dos melhores q vc já escreveu,está cheio de constatações, conclusões,suspense… Está ótimo,assim q comecei a ler não consegui parar. Simplesmente fenomenal e não estou puxando o saco. Fiquei arrepiada em algumas partes e pude imaginar as cenas devido aos detalhes q vc colocou, realmente é uma história policial e tanto, ainda mais pra quem pensou q era só sobre sexo rsrsrsrsrs Fiquei com pena da Bia e do Tay,odiei Amanda e Ramon mais do que nunca,notei q Angelina vai finalmente deixar de ser submissa ao marido e será coerente mostrando-se uma mulher corajosa. E quantas revelações!o cerco está se fechando e eu não vejo a hora de ler o final. Amiga,vc se superou mais uma vez.Parabéns!Que capítulo magnífico vc escreveu!