Capítulo 04
Bia fitou-o nos olhos, de certo não esperava por aquelas palavras tão logo haviam compartilhado um momento de amor. Claro, não fora amor o que fizeram e sim, um momento de fraqueza da parte dele. Taylor já mostrou que não poderiam continuar com aquilo, e por que deixou que tudo acontecesse novamente? Não sabia ao certo.
Sentiu os olhos arderem enquanto fixava-os nos dele. Taylor tinha uma expressão arrependida na face. Ele levou a mão a sua cintura e aproximou o rosto do dela envolvendo os lábios em um beijo. Taylor sugou o lábio inferior e em seguida, o superior. Acariciou suas costas e suspirou. Bia não compartilhara o beijo um só instante e parecia estar decidindo entre fugir dali o mais rápido possível, ou ficar e deixar que o corpo comandasse a situação.
Ele não desistiria enquanto ela não se afastasse dele. Ele subiu uma das mãos e acariciou o seio, brincando com o mamilo. Bia arrepiou-se e levou a cabeça para trás afastando os lábios dos dele deixando escapar um gemido agudo e ao mesmo tempo rouco, mostrando que ela não tinha voz. Ele desceu os lábios até seu pescoço, tentando achar uma maneira de mostrar que o que havia dito fora compreendido distorcidamente. Na verdade, embora quisesse entender por que ela estava dominando seu corpo, mente e até a alma, sabia que a relação de ambos era completamente errada. Bia totalmente proibida para ele, mas como controlar? Não podia. E que mundo era esse que o fizeram aproximar-se justamente dela? A mente fervia, mas não queria que ela se afastasse dele, não agora que mais uma vez, tivera a melhor transa da sua vida. Ela tocou seu rosto cautelosamente e afastou os lábios dele de seu pescoço.
-Bia, eu… – ele suspirou – Não queria…
-Esquece – Ele viu uma lágrima escorrer pela face direita do rosto, mas ela fora rápida o suficiente para secá-la.
-Eu não queria… – ela o interrompeu novamente, levando os dedos em seus lábios, olhando fixamente para eles, como se fosse a última vez que tocaria neles.
-Antes de dizer qualquer coisa, esqueceu que eu não pedi nada em troca? – ela indagou com um sussurro. – Apenas quis que me ensinasse – ele a afastou sem crer realmente o que acabara de escutar.
-Nunca mais repita isso – ele disse bravo apertando-a pela cintura – Eu não estou fazendo isso para te ensinar.
-Não? – Bia arqueou a sobrancelha e seu rosto começava a ficar vermelho.
-Não – ele respondeu alterando a voz – Eu achei que você quisesse isso, tanto quanto eu quero.
-Sim – ela disse – Mas achei que você apenas queria me ensinar.
-Você acha que tudo isso era apenas para te ensinar? – continuou a exaltar o tom da voz.
-Não entendo o que o senhor quer que eu compreenda – ela deu de ombros sentindo-se frustrada.
Bia suspirou para conter o embrulho no estômago e no rancor entalado na garganta, parecia querer rasgar e desabafar a frustração, magoa talvez, pois agora sentia seu coração pulsar e apertar por causa do assunto. O ouvir falar que não poderia dar o que ela queria a desanimou ainda mais. Ela não sabia o que realmente queria, mas agora, após o que acabaram de compartilhar e o que acabara de proporcionar não só a ele, mas a si também. Sentiu que era mais do que o comando do corpo, o palpitar do peito mostrara que não era apenas paixão, momento e sim, algo mais. Algo que jamais achou que sentiria. E agora, ele não podia dar a ela o amor que gostaria, pois ele não sentia nada, apenas desejo. Não havia outro motivo para isso.
-Bia – ele pausou antes de continuar – Nós temos uma diferença de idade imensa e eu sou seu professor. Não posso me envolver com alunas. – Ele tentou soar da maneira mais natural possível. Como se isso fosse o principal motivo.
-Não precisa explicar o que já estou cansada de ouvir de sua boca – ela escondeu o rosto em seu pescoço.
Sentindo os olhos úmidos e ardidos. Ficaram em silêncio até que Taylor sentiu o pescoço úmido. Ele sabia muito bem o que significava aquilo, ela estava chorando mais uma vez por sua causa. O que poderia fazer para ela? Não sabia, mas agora tendo os sentidos de volta. Seu coração acelerando. Ela levantou o rosto enxugando-o, ela o entendera errado e não sabia como poderia explicar
-Acho melhor eu ir. – Ela sussurrou em seu ouvido. Taylor apertou sua cintura.
-Por quê? – Agora ele sentiu a palpitação do peito e o medo do que estava por vir.
-É melhor, professor – ela disse – Eu não quero me machucar com isso. Já está sendo difícil controlar agora, se continuarmos com isso, será pior para mim.
-Tem certeza? – ele perguntou a apertando novamente pela cintura contra si.
Não queria que isso acontecesse. Não agora que decidira ficar com ela, mesmo que não pudesse ser da forma certa, sabendo que mais pra frente tudo poderia desabar. Não queria que ela continuasse a falar assim, mas ela estava certa. Poderia acabar magoando-a ainda mais, principalmente quando…
-Eu acho melhor cada um, viver sua vida – ela suspirou – Eu não posso me entregar mais ao senhor, por estar me envolvendo emocionalmente – pausou – E o senhor não pode se envolver comigo por muito mais motivos. Até por que é só sexo, não é? – apoiou a cabeça. Taylor ficou mudo, sem saber o que realmente responder – É melhor eu me afastar disso logo, antes que aconteça o pior – ela apoiou as mãos em seu ombro para se afastar dele, mas este a segurou.
-O que quer dizer que é apenas sexo? – disse com a voz grossa e amarga. Nada sexy na opinião de Bia.
-Esquece isso, professor – ela disse – Vou.. Viver minha vida. Aprendi muito com o senhor – ela afastou-se rapidamente, tentando não demonstrar amargura no tom de sua voz – Obrigada.
-Não quero que me agradeça – ele disse se levantando da poltrona.
-Esquece professor – ela disse com a voz baixa, já de costa para ele – Eu vou aceitar o pedido de namoro do Kevin – enxugou a lágrima que rolava – É o melhor que faço para esquecer essa situação.
-Você…? – ele não conseguiu terminar a frase e se sentou novamente na poltrona.
-O senhor não pode se relacionar comigo e eu não quero atrapalhar sua vida profissional – ela pegou a blusa no chão – Não é apenas atração da minha parte. Apaixonei-me assim que entrou naquela sala de aula. E não posso mais me deixar envolver. Consegue entender o que está acontecendo comigo?
Ele a olhou nos olhos, mas continuou a não falar nada, ouvi-la se declarar foi intenso demais. E tão importante, como se nunca tivesse ouvido tais palavras antes. Ela estava se afastando dele para não sofrer e não pedir nada em troca de seu sentimento. Ela se vestiu rapidamente, arrumou os cabelos prendendo-os e parou a sua frente.
-Poderia me dar à chave, professor? – O tom de sua voz agora era como aluna e não como a mulher que acabara de ter nos braços. Ele apontou a calça dele jogada no chão e ela pegou-a tirando as chaves do bolso – Até segunda-feira professor, bom final de semana.
Bia saiu rapidamente da biblioteca e correu para sair daquela casa. Assim que fechou a porta, encostou-se a ela e deixou as lágrimas que ardiam em ânsia nos olhos; saírem. Após um breve momento que as lágrimas cessaram, ela começou a mover-se para afastar-se logo dali. Caminhou enquanto enxugava o rosto a todo instante.
Nunca se apaixonou e não lhe dera com sentimento em toda sua vida. Sempre firme e decidida em relação aos homens. Admirava quem tinha facilidade em amar e sentia necessidade de nutrir esse sentimento por alguém, mas agora que o tem no peito, não o deseja mais, pois sentia dor imensa atravessando furiosamente o corpo. Bia andou rua após rua sem rumo. Queria caminhar antes de voltar pra republica. Meia hora depois decidiu ir para o dormitório. Estava mais tranqüila e não chorava mais.
Taylor continuou por alguns minutos na quietude da biblioteca, ouvia apenas a própria respiração. Olhou o local como se tudo ali não existisse mais. Encontrava-se na solidão daquela casa imensa, no escuro, pois já era noite e encontrava-se completamente arrependido. Não ouviu o celular tocar e momentos mais tarde não ouviu o tocar do telefone. Ele ainda encontrava-se totalmente nu, não havia se movido para vestir-se. Seu corpo ainda estava no torpor de momentos quentes há alguns minutos atrás, mas a mente vagava para um lugar distante. Não, agora isso não poderia ficar assim.
O celular tocou mais uma vez, fazendo-o enfim, desviar os devaneios perturbadores. Havia tomado uma decisão, mas dessa vez era definitiva. Bia iria sumir de seus pensamentos, não a veria mais. Olhou para o chão vendo a própria roupa jogada de qualquer jeito ali e uma luz fraca aparecer na pequena penumbra do bolso da calça. Levantou-se e caminhou até lá, tirou o celular do bolso e atendeu.
-Alô? – Indagou sem prestar atenção no número.
-Taylor? – reconhecia aquela voz em qualquer lugar – Até que enfim me atendeu.
-Oi Rachel – encostou-se na mesa da biblioteca.
-Gostaria de conversar com você, agora – ela suspirou – Acabo de sair de uma conferência. Preciso urgentemente falar com você.
-Tudo bem – ele sussurrou – Mas saiba que não quero falar sobre aquele assunto… – Ouviu-a suspirar – Rachel, você sabe que não quero mais falar sobre isso, acabou.
-Taylor, precisa me escutar. Tenho tantas coisas para contar, mostrar. Por favor, ao menos ouça o que eu tenho a dizer e depois faça o que quiser.
Taylor mordeu os lábios. Não poderia mexer nisso, não agora que resolvera esquecer tudo e sumir definitivamente dali. Não, se ouvisse o que Rachel tinha a dizer, sabia que iria envolvê-lo novamente e sua tentativa de se afastar, seria totalmente em vão.
Bia subiu as escadas do prédio e entrou. Notando imediatamente o silêncio do quarto. Bufou e então resolveu tomar um banho. Sentou-se na cama para se livrar da roupa e do perfume masculino que impregnava o tecido e sua pele. Entrou no banho e logo que saiu, encontrou a amiga sentada sobre a cama e com o celular na mão. Ela enxugou os cabelos.
-Me desculpe por deixá-la preocupada – ela disse se sentando.
-Por que não me contou sobre o professor de direito? – Jenn indagou rindo – A faculdade inteira está louca por ele.
-Que façam bom proveito dele – Bia disse se afastando e imediatamente se virou – Como descobriu? – Não poderia ser. Se a amiga havia descoberto por meios duvidosos, então a faculdade inteira saberia e ele poderia perder tudo o que conquistou por sua culpa.
-Ele acabou de ligar no meu celular – Jenn disse a observando. Ela parecia pálida, tinha olhos fundos e tristes.
-Ele mal acabou de se deitar comigo e já está dando em cima de outra? – Bia disse se levantando ardendo em ciúmes. Virou de costas para amiga. “Eu não posso sentir ciúmes, ele pode fazer o que quiser”. Suspirou.
-Estou com inveja de você, mas não, ele não me ligou para falar ou me convidar para dormir com ele – ela se levantou e riu – Aliás, ele não havia me contado que vocês estiveram intimamente juntos.
-Oh – Bia disse controlando-se – Eu disse que ia falar o que era.
-Mas o que houve? – Jenn indagou preocupada. Tocou o ombro da amiga.
-Eu estou apaixonada – Bia disse abaixando a cabeça e levou as mãos no rosto, novamente sentia vontade de chorar – E ele não pode dar o que eu quero. Então, por que continuar com isso? – Bia indagou se virando e a encarando.
-Por isso decidiu ficar próxima do Kevin? – ela indagou e Bia assentiu – E você acha que vai conseguir?
-Não – Bia disse baixo – Mas ao menos vai amenizar. Eu preciso tentar.
-Não acho uma boa idéia – Jenn disse pensativa. Sua expressão suavizou-se e olhou-a. – Eu não gosto dele, você sabe.
-Ele me trata com carinho – Bia levantou o rosto fitando-a – Ele sim, pode me dar o que eu quero.
-Não, não pode dar – Jenn negou – Você está apaixonada por outro, Bia. Como acha que Kevin vai dar o que você quer?
-Por que é o que ele quer me dar – Bia suspirou – Vou aceitar a chance que ele me pediu, e vamos ver o que pode acontecer, mas eu preciso esquecer o professor.
-Então, liga para ele – Jenn disse finalmente desistindo.
Desde que conhecera Bia, nunca a viu se apaixonar por alguém, mas agora via o desespero transparecer através de seus olhos e neles, pedia ajuda desesperadamente, só não concordava com a maneira que ela estava tentando guiar as coisas. Kevin não era uma pessoa legal, e todos sabiam quais eram suas intenções em relação a ela, mas se Bia se decepcionasse com ele, talvez, pudesse esquecer o professor. Quando pudesse e ela estivesse mais calma, perguntaria mais sobre o que aconteceu entre ela e o professor.
-Não acho que seja uma boa idéia, não agora – ela respondeu hesitante.
Jenn estendeu novamente o celular e Bia o pegou ligando para Kevin. Ele estava preocupado, ela passara a tarde toda fora e voltara para casa já passava das oito da noite. Ela explicou que precisava pensar em algumas coisas e pediu desculpas. Ele perguntou se poderiam se encontrar ainda hoje e ela topou. Alguns minutos depois Kevin apareceu.
Eles caminhavam em silêncio para o barzinho próximo a republica. Atravessaram a rua, mas antes de entrar, Kevin parou tocando em seu cotovelo e depois desceu a mão segurando a sua. Bia o olhou. À hora chegara e não tinha coragem. O que realmente dizer? Nunca havia dito sim, apenas não nos últimos anos. Lamentara agora a falta de experiência. Kevin vai perguntar novamente, e ela devia dizer sim.
-Eu sei que não está muito bem hoje – ele beijou sua mão – Mas eu queria saber a sua resposta – Fez-se uma sombra sobre suas mãos e Bia olhou para ver quem era. Arregalou os olhos. Taylor estava parado os olhando. Ele olhou de um para outro, com certeza, havia escutado o que Kevin disse e agora, esperava também uma resposta da parte dela..
-Eu ainda não sei – ela praticamente sussurrou. Kevin não havia se dado ao trabalho de olhar para o lado, mas quando o fez quase arregalou os olhos. Ele inspirou e voltou a olhá-la – Não estou preparada para namorar, não agora – Ela engoliu seco e queria bater os pés furiosamente pelo que acabara de dizer.
Taylor suspirou fitando-a nos olhos e ao ouvir sua resposta, entrou no bar. Ele tinha as mãos soadas e frias, o peito palpitava em descompasso. Olhou para trás através do vidro, Kevin olhara para o lado impacientemente e Bia abaixou o rosto. Ela não percebeu a frustração de Kevin, mas Taylor não deixou passar despercebido.
Bia levantou os olhos. Por que não conseguiu dizer sim? Por que ele tinha que aparecer justo na hora que devia aceitar o pedido? Kevin sorriu e acariciou seu rosto mostrando que a compreendia. Ela suspirou aliviada e tentou sorrir.
-Eu espero o tempo que for – ele disse por fim – Vamos entrar. – a fez se virar e entraram no bar lotado. Kevin a segurou pelo braço e se aproximaram do balcão – Quer beber alguma coisa?
-Pode pedir por mim – ela disse olhando ao redor a procura de Taylor.
Frustrante, ela pensou ao avistá-lo com uma mulher mais velha, bonita e absurdamente sexy, que segurava em sua mão entrelaçando os dedos, a outra levou a mão em seu cabelo e Taylor suspirou. Estreitou os olhos para ver o que realmente estava acontecendo. Sentiu vontade de se levantar e sair correndo dali, mas, ao mesmo tempo sentiu vontade de se aproximar deles e perguntar o que estava acontecendo. Todas as garotas da faculdade que se encontravam ali, os observavam e cochichavam entre si. Bia suspirou, e olhou Kevin tentando achar algo que notasse e a fizesse estremecer, como acontece apenas em avistar Taylor. Tão bonito, mas não lhe chamava a atenção.
-Taylor o que há com você? – Rachel fitou-o, ele olhava disfarçadamente para um lugar. Havia uma garota e um rapaz. Ela abaixou a cabeça para pensar, aquela garota, lhe era muito familiar. – Ela me parece familiar – Taylor imediatamente fitou-a, e Rachel levantou os olhos.
-É claro que é – ele suspirou e virou o rosto para olhar novamente o jovem casal.
-Então… – Rachel não conseguiu concluir o que ia falar, pois imediatamente seu rosto iluminou – Taylor isso é brilhante – Ela ia se levantar, mas Taylor a segurou pelo braço.
-Você enlouqueceu? – suspirou – Eu não quero envolvê-la nisso, você me entende?
-Claro que entendo – Rachel se sentou novamente voltando a ficar desanimada – Entendo que você não devia ficar com essa expressão de que perdeu algo. – Taylor nada disse – Ouça-me, o que houve entre vocês?
-Sexo – Taylor respondeu amargamente, mordeu os lábios imediatamente, não era o que gostaria de falar – Quer dizer, não foi apenas sexo – ele levou as mãos nos cabelos. Nunca deixou de responder uma pergunta sem ter certeza da resposta, mas agora parecia que tudo em sua vida se tornou incerto.
-E agora está arrependido? – Ele não respondeu – Não me parece realmente arrependido – Rachel suspirou.
-Eu… – ele não conseguiu concluir a frase. Olhou para Bia e Kevin.
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-Vamos nos sentar em alguma mesa? – Indagou Kevin estendendo o copo com tequila para ela.
Bia assentiu e deixou-o guiá-la. Ela enlaçou o braço no dele, todos os olhavam e havia muitos amigos dele, que sorriam para ela e depois para Kevin, com uma expressão de vitória. Era a primeira vez que saiam e encontravam alguns amigos, logo Kevin parou e cumprimentou alguém, não havia uma mesa livre para eles. Bia ergueu o rosto, empinando o nariz e Kevin parou, no lugar menos apropriado. Bia sentia as mãos frias, o peito palpitar e os lábios tremerem. Até quando agüentará isso? Kevin a havia carregado para a forca. Praticamente sem ar, ela tentou desviar a atenção da mulher ao lado de Taylor, que não tirara os olhos dela desde que se afastaram do bar. Taylor pelo contrário, não a olhava. Não havia expressão alguma para que pudesse compreendê-lo. Bia decidiu não prestar mais atenção nele. E inspirou.
-Professor – Kevin disse sorrindo – Nós podemos nos sentar aqui? Não há outro lugar para nos sentar, e é o único que conhecemos. – Bia que tentava não olhar nada a sua frente. Podia ouvir que Taylor falava baixo e discordava algo com a mulher, mas ela foi persistente e o convenceu, pois ele suspirou e olhou-os.
-Claro Kevin – Ele apontou os dois assentos. Bia fazendo o máximo para controlar suas emoções e a vontade de chorar, se sentou de lado ficando de frente para Kevin, apoiou o braço na mesa enquanto segurava o copo – Essa é Rachel – Taylor disse secamente – Uma amiga de infância – Bia não o olhou. Mas Kevin, fora simpático, a cumprimentou com dois beijos no rosto.
-Essa é a Bia – ele a apresentou para Rachel e então Bia enfim a olhou.
-Prazer – disse fria.
Rachel a observava minuciosamente, sem querer perder detalhe algum dela, mas Bia fingiu não notar o olhar da mulher, não queria que a mulher percebesse que havia se envolvido com ele, mas parece que ela notou algo, pois não parava de olhá-la. Amiga dele? Ele só podia estar caçoando dos sentimentos dela. Era isso que se passava por sua mente. Ela voltou a olhar para o lado e bebericou a tequila calmamente. Kevin aproximou-se dela e brincou com os cabelos, levando-os atrás da orelha.
-Gosto de ver seu rosto – ele disse alto. Kevin a viu abaixar o rosto timidamente, aproveitou para olhar ao redor e sorrindo maliciosamente para os amigos, aproximou do ouvido de Bia e sussurrou – Fica linda quando está tímida.
-Kevin, por favor – Bia pegou um guardanapo sobre a mesa e o apertou.
Bia sentia que o rosto começava a esquentar e mordeu os lábios. Não conseguiu evitar levantar os olhos e pôde ver Taylor com os braços apoiados sobre a mesa, fitando-os com os lábios enrugados e uma expressão dura. Ela inspirou profundamente para controlar o nervosismo, mas seus olhos a enganaram e imediatamente umedeceram. Taylor abaixou o rosto ficando assim. Rachel aproximou-se dele, comentando algo em seu ouvido. Ele virou o rosto para ela, e Bia fez o mesmo, mas ao invés de olhar para Kevin, olhou para outro lugar. Queria sumir dali.
Bia levou as mãos no rosto para enxugar as lágrimas que começavam a escapar de seu controle. Tentar controlar a respiração já não estava resolvendo mais nada. Ela engoliu em seco, estava a ponto de se levantar e correr para se afastar dali imediatamente. Ainda podia sentir o calor do corpo dele e o perfume impregnado no seu nariz. Amaciou os lábios, precisava achar algo para se controlar. Não havia notado que Kevin conversava amigavelmente com Rachel e o professor. Bia não conseguia prestar atenção, pois sua mente não se distanciava de um único foco: Taylor. Ela sentiu Kevin pegar em sua mão sobre a mesa dispersando enfim, a atenção para ouvir o que ele dizia para eles.
-Bia é a garota mais bonita que vi em minha vida, por isso estou apaixonado por ela – continuou a olhá-la. Taylor arrastou a cadeira para trás após ouvir o que o rapaz falava e se levantou.
-Eu já volto – disse forçando um sorriso e se afastou.
-Eu preciso ir ao banheiro, Bia – disse Kevin – Eu já volto se comporta.
-Não vou sair daqui – ela fingiu sorrir. E quando se viu sozinha se deu conta da presença de Rachel. Ela suspirou e abaixou a cabeça.
-Você acha que estando com um garoto como Kevin, vai fazê-la superar o que aconteceu entre você e o Taylor? – Rachel apoiou o braço a observando.
-Isso não é da sua conta – Bia disse baixo, quase não tinha voz.
-Garota – Rachel apoiou os braços na mesa – Acha que sou cega? – Bia nada disse, Rachel respirou profundamente, sabia o que a garota pensava, a expressão dela não negava o que estava acontecendo – Você acha que esse garoto, o Kevin, não vai ou não percebeu?
-Eu espero que não – Bia disse dando de ombros.
-Até quando pretende continuar com essa brincadeira? – Rachel parecia perder a paciência – Como? Como Taylor poderia se interessar por uma garota tão infantil como você?
-Não se preocupe Rachel – Bia suspirou – Não terá mais nada entre eu e Taylor, pois ele deixou claro que não pode dar o que eu quero. E acho que… O que eu quero pertence à outra pessoa, eu não irei perturbá-lo mais – Bia disse enfim fixando seus olhos nela. Queria garantir que não se envolveria com Taylor.
-Não é o que você… – Rachel parou de falar, pois um rapaz aproximava-se da mesa. Este entregou um papel a Bia e afastou-se. Bia não se deu ao trabalho de ler, já imaginava o que era, amassou-o deixando o papel sobre a mesa.
-Não precisa me explicar nada – Bia suspirou – Ele deixou claro e eu compreendi o que ele queria me dizer – Bia sentiu os olhos umedecerem e pestanejou. – Ele não pode me dar o que eu quero – Bia repetiu amargamente as palavras que ele havia lhe dito.
Ela sentiu, e sabia que sentiria aquela presença onde quer que esteja quando se aproximasse dela. Seu corpo respondeu apenas pelo roçar do vento em suas costas, o perfume inconfundível. Sentir os seios enrijecerem e a nuca arrepiar-se, uma única pessoa que se aproximara, Seria capaz de causar tanto alvoroço no seu intimo. Taylor encontrava-se logo atrás dela, a ouvindo. Tinha as mãos nos bolsos da calça e seus olhos não fixara em uma parte de seu corpo, seguia-a por completo. Sua expressão modificava a todo instante. Havia emoção, desejo em relação a ela, e também tinha duvidas nos olhos assim que se fixaram, nos dela. Bia piscou finalmente, para dissipar o torpor que acabara de envolvê-los, abaixando a cabeça, tomou uma decisão. Levantou-se rápido e correu para fora do bar. Taylor moveu-se na tentativa de ir atrás, mas Rachel o impediu.
-Eu posso resolver isso – Rachel disse – E conversa com o garoto antes de tomar qualquer decisão – após dizer, se afastou apressando o passo para acompanhar Bia que já saíra do bar.
Ao sair, Rachel olhou para os lados tentando achar indicio da garota, a viu correndo e apressou o passo na tentativa de segui-la e não perdê-la de vista. Ao notar a placa da republica, suspirou. Nada melhor do que ir para a toca, ela pensou. Taylor tinha que se interessar justamente por uma garota mimada? Perguntou-se novamente em pensamentos, vendo-a subir as escadas de um prédio.
-Bia – Rachel gritou. Bia a olhou – Me espera – ela pediu.
-O que você quer? – Bia indagou parando antes de entrar ao prédio.
-Conversar com você – ela continuou a caminhar em sua direção. Bia cruzou os braços – Boa garota – Rachel sussurrou para si mesmo – Podemos subir para conversarmos? – Indagou ao se aproximar. Bia descruzou os braços e se virou quando ela já estava ao seu lado – Tem 18 anos mesmo? – Disse a observando mais.
-Pelo menos é o que está na certidão de nascimento – Ela abriu a porta para entrar no prédio – É no 2º andar – informou.
Elas subiram em silêncio até o quarto dela. Rachel não deixava de reparar nos movimentos de Bia. Seria fácil entender o interesse do Taylor nela. Era realmente uma mulher e não uma garota com 18 anos. Via-se pela maneira de caminhar e a segurança que tinha em si mesma, embora, tivesse uma insegurança em relação ao Taylor. Bia, não parecia uma menina, afinal, quem não sentiria insegura em relação a quem ama? Aproximaram-se da porta do quarto e Bia a abriu, olhando para dentro em busca de alguém.
-Alguém mora com você? – Indagou Rachel curiosa.
-Uma amiga de infância – Bia se sentou e mostrou uma cadeira para ela, mas Rachel sentou-se na cama, na mesma cama que ela e Taylor haviam transado.
-Obrigada – Disse olhando o local mais uma vez – Me diz. É inglesa e veio para cá, por quê? – Enquanto perguntava, não tirava os olhos do local.
Bia não deixou de notar. O que aquela mulher estava querendo? Rachel observou em como o lugar era aconchegante e tinha um ar jovial, que Bia fizera questão de decorar a sua maneira, mas mesmo assim, é um local aconchegante e bem organizado. Fitou-a.
-Gosto de ser independente – Bia disse – Desde meus 16 anos moro sozinha.
-Não morava com seus pais na Inglaterra? – indagou Rachel ajeitando-se melhor a cama. Aquele assunto lhe interessava bastante.
-Eles mais viajavam a trabalho do que ficavam em casa, então, me sentia solitária numa enorme casa e… – pausou para respirar – pedi para que eles me dessem um apartamento menor, que eu pudesse cuidar – Rachel arqueou a sobrancelha.
-Eles deixaram você morar só, num apartamento? – Cruzou as pernas.
-Deixou – ela disse abaixando a cabeça – Eles são ótimos pais, mas são ausentes e sempre fazem o que eu peço para me compensar. A ausência deles faz com que se sentem culpados em relação a minha criação.
-E como foi morar sozinha? – Rachel precisava saber mais. Será que ela não se lembrava dela? Viu-a entrelaçar os dedos e suspirar.
-Foi bom – Bia sorriu – Via filmes todos os dias, eu comia besteiras e cuidava das minhas próprias coisas.
-Levava rapazes para lá? – Indagou curiosa. Sabia que ela e Taylor tiveram algo, mas ele não comentara que ela era virgem.
-Não – Bia mordeu os lábios – Eu dei meu primeiro beijo esse ano, na formatura do colégio – Bia encontrava-se tão nervosa que respondia tudo o que ela lhe perguntasse.
-Então? – Rachel piscou embasbacada – Você perdeu…? – Não conseguiu concluir por que Bia já assentia. Ficou a olhando e então Bia deitou-se na cama – É mais do que eu pensava.
-Acho que sim – Bia ficou a olhando – Mas não se importa com isso. Eu não irei me aproximar mais dele – virou o rosto para o lado e suspirou.
-Será uma pouco difícil, não acha? – continuou a olhá-la. Tão menina, mas ao mesmo tempo, tão mulher.
-Eu não sei – Bia virou o rosto – Ele não tem culpa por eu ter me apaixonado – suspirou – Eu vou superar.
-Bia, sabe que conheço seus pais? – Bia arregalou os olhos e assinalou negando. – Eles são ótimos advogados, não acha?
-Claro – Bia suspirou – Foi por causa deles que decidi seguir a mesma carreira.
-E já viu os últimos casos de seus pais? – Bia negou – A quanto tempo não vai a uma audiência com eles?
-Desde que se tornaram famosos – Bia suspirou triste, mas logo enrugou a testa fitando-a nos olhos.
-Mas nunca mais seguiu pela TV os casos importantes que eles pegaram e claro, ganhavam? – Rachel indagou com amargura.
-Só vi os primeiros, mas logo comecei a estudar em tempo integral e com a mudança de casa, não pude me certificar totalmente de tudo. Eu apenas sabia que eles venciam e pronto – Ela respirou e indagou – Por que está interessada nos meus pais?
-Eu quero contar uma história à você – Rachel virou o rosto desviando do olhar dela – Eu e Taylor éramos parceiros de trabalho. Ele é um dos advogados que mais admiro. Tão inteligente e perfeccionista demais, e por causa desse defeito, se tornara um dos mais brilhantes advogados dos últimos tempos – suspirou – Estávamos em uma audiência em que ele era o advogado de acusação – Bia mordeu os lábios prestando a atenção, era a primeira vez que saberia um pouco sobre o Taylor – Houve um caso de estupros na grande Nova York. A garota tinha 12 anos e não agüentou, acabou morrendo. Taylor caminhava calmamente pela calçada quando alguém correndo, esbarrou-se nele, fazendo-o quase cair. Até então, ele não havia dado importância, continuou a caminhar até que ao se aproximar de uma rua sem saída, ele viu um tumulto e algumas mulheres perturbadas gritando, clamando por policia. – Rachel deu uma pausa breve, e continuou – Ele aproximou-se, empurrou algumas pessoas até que as ultrapassou e viu uma pequena garota estendida no chão. Rodeada de sangue e completamente sem vida. Ela já não respirava, ele virou-se para as pessoas e indagou o que acontecera com a garota e logo que ouviu a resposta, imediatamente ele se levantou e começou a correr. Correu sem cessar atrás do estuprador, lembrava-se do rosto dele e assim que conseguiu pegá-lo, conseguiu prendê-lo. – Bia tinha um brilho nos olhos. Taylor era ainda mais admirável, continuou a ouvir a história, mas tinha muitas perguntas – Taylor conversara com os pais da menina e prometeu deixá-lo na cadeia por longos e longos anos – Rachel pausou.
-E ele conseguiu fazer realmente o que prometera? – Bia perguntou curiosa.
-Não – respondeu desanimada – Ele não conseguiu, pois o homem era milionário e contratou os advogados mais importantes em todo o mundo. – Rachel enfatizou a última frase, Bia sentira um arrepio. – Eles conseguiram inocentá-lo sem provas. Pois de uma maneira ou de outra. A prova do crime sumiu. Taylor ficou arrasado e decidiu que nunca mais seria advogado criminalista – Rachel a olhou – Ele é rancoroso Bianca. Apesar de jovem demais para ser um ótimo advogado, ele se decepcionou com ele mesmo, com a carreira e com tudo o que importava em sua vida. Ele se pune por algo que deu errado e não foi culpa dele e já fazem dois anos que isso aconteceu – Rachel pegou em sua mão – Ele era noivo, mas desfez o noivado e fez as malas vindo para cá ano passado. Não amava mais a noiva e não amava Nova York. Ele não amava a si mesmo.
-O que você quer me contando essa história? – Bia largou as mãos dela e virou o rosto.
-Eu sei que você entendeu – Ela suspirou – Ele tem medo. Medo do que pode acontecer com você. – Bia se virou.
-Não me diga que… – Bia levou as mãos no rosto vendo-a assentir.
-Mas, não é com isso que ele se preocupa – Rachel suspirou – São seus pais… – ela pausou – Ele tem medo de fazê-la infeliz e sabe, que se continuar com isso as coisas tendem a piorar. Taylor pensa também que você é jovem demais e ele velho pra você, sente-se da mesma maneira quando encontrou aquela garota.
-Mas não é a mesma coisa – Bia negou. Rachel assentiu.
-Ele me pediu ajuda – Rachel confidenciou – Ele gosta de você, criança e não sabe o que fazer – Rachel sorriu quando ela virou o rosto. – Não sabe como agir, parece um idiota em relação a você.
-Ele não gosta – Bia disse convicta – Ele mesmo disse isso.
-Ele disse que não podia te dar o que queria – Rachel repetiu
-Então? – Bia mordeu o lábio – Isso quer dizer que ele não pode me dar o amor que eu quero dele. Eu não quero sexo.
-Ele não pode dar o namorado que você quer – disse.
-Eu não quero namorado – Bia disse chateada – Como ele pode saber que é isso mesmo o que eu quero?
-Você é jovem e sonhadora quer ter tudo que uma garota da sua idade quer – Rachel pausou – Nunca pensou em namorar, Bianca?
-Não – Bia disse séria – Os homens só pensam em sexo comigo.
-Compreendo – Rachel bufou.
-Eu só queria que ele ficasse comigo, mas não por desejo – disse levando o cabelo atrás da orelha.
-Vou falar isso para ele – Rachel disse se levantando – Só não o entenda errado. Ele virá conversar com você.
-Eu não quero falar com ele – disse furiosa
-Depois de tudo o que passaram juntos? – Rachel riu – Taylor não é de desistir e se ele aparecer, é por que ele decidiu vir atrás de você, custe o que custar. – ela caminhou até a porta e saiu deixando Bia sozinha no quarto.
Bia sentou-se na cama, abraçando as pernas. Os olhos estavam úmidos. Fora informações demais e não conseguia assimilar mais nada. Enxugou o rosto e levantou-se. Parou em frente ao notebook e abriu-o. Precisava realmente confirmar o que acabara de ouvir.
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Taylor após Rachel sair, se sentou e esperou que Kevin aparecesse para ter uma conversa definitiva com ele. Ele demorou alguns minutos para voltar, até que este apareceu e se sentou.
-Cadê a Bia? – Indagou encarando o professor.
-Foi embora – respondeu cruzando os braços – Eu pedi para que me deixasse a sós com você, precisamos ter uma conversar, então, ela resolveu ir embora.
-E a Rachel? – Kevin bebericou o Uísque.
-A acompanhou e depois fez o mesmo – Taylor apoiou o braço sobre a mesa – Me diz, como é o seu relacionamento com a senhorita Bia? – Kevin abriu um sorriso.
-Temos uma amizade colorida – ele continuou a sorrir, Taylor mordeu os lábios – Estou me aproximando dela calmamente e depois o senhor sabe… – ele bebeu novamente o Uísque.
-Eu achei que gostasse mesmo dela – Taylor murmurou – Então, quer apenas se deitar com a garota? – Kevin assentiu – E depois?
-Professor, Bia me fez de palhaço na frente dos meus amigos, o máximo que ela tem que fazer por mim é transar comigo depois de tudo o que eu passei por causa dela – ele sorriu – Ela é bem gostosinha, não acha?
-Não estou aqui para falar do corpo ou da beleza da garota – Taylor se exaltou. Ele não podia falar assim dela, não na sua frente – Já ficaram? – ele indagou tentando controlar o ciúme e a vontade de agarrar o pescoço do rapaz.
-Ela me trata como um amigo – Kevin suspirou – Mas eu vou conseguir – Taylor sorriu e se levantou. Tocou em seu ombro.
-Não tente nada com ela, rapaz – apertou o ombro – Por que não deixarei que se aproxime mais dela – continuou a apertar o ombro – Ela é inocente demais e não estrague isso nela.
-Se fosse tão inocente, não andaria daquele jeito – disse rapidamente – Ela se insinua praticamente.
-É o jeito dela – Taylor soltou seu ombro – Não o quero ver próximo dela novamente. Entendeu? – Kevin ficou o olhando nos olhos e não respondeu – Se algo acontecer com ela, eu o expulso da faculdade.
-O que você tem a ver com isso? – Kevin se exaltou – Por acaso já dormiu com ela?
-Não fale bobagem – Taylor tentou não expressar emoção alguma – Eu a conheço e ouvi falar muito bem de seus pais que me pediram para cuidar dela.
-Ah – Kevin murchou – Então tenho que me afastar? – ele bebeu novamente o uísque e Taylor assentiu afastando-se da mesa para finalmente sair do bar.
Kevin ficou olhando-o se afastar, viu-o sair do bar e olhar algo no celular. Virou-se para a mesa novamente e acabou sorrindo. Não dera a mínima importância aquela proibição, agora tornara ainda mais gostoso. Quando Bia se deitasse com ele, todos saberiam o quanto ela gemera sob ele. Bebericou mais uma vez a bebida e logo se levantou, aproximando-se de uma garota loira, passou o copo entre o decote dos seios e sorriu.
Taylor saiu do bar e tirou o celular do bolso que tocava pela 2ª vez. Não o atendera, quando estava conversando com Kevin para não atrapalhar o assunto. Olhou o visor e atendeu. Um minuto depois de falar, desligou e seguiu o caminho que tanto ansiava para ir. Os passos largos e o vento fresco atrapalhavam sua visão quando bagunçava seus cabelos. Enfim, avistou.
Olhou o prédio a sua frente. Alunos entrando e saindo, mas continuou a se aproximar, ninguém notava sua presença, parecia mais um universitário, indo ao encontro de uma garota. Completamente ansioso subiu os degraus de dois em dois e entrou. Dessa vez alguns alunos o cumprimentaram e ele continuou a entrar. Subiu enfim, as escadas até o 2º andar e bateu firmemente na porta do quarto que entrou apenas uma vez. Mas sabia tudo o que tinha ali dentro, havia reparado em tudo e em cada canto do minúsculo quarto onde sua aluna preferida ou como ele costumava chamá-la de “criança”, passava as noites e ele imaginara-se ali, com ela mais de uma vez. Quase todos os dias. Uma vontade louca de envolvê-la nos braços assim que esta abrisse a porta.
Bia abriu a porta surpreendendo-se ao ver a pessoa que estava parada, a sua frente encostada na parede. Ele fixou os olhos nela, por um instante. Ele tinha uma expressão bastante ansiosa e parecia tentar controlar a sua ânsia. Bia pensou em fechar a porta, mas não conseguiu. Não imaginava que Rachel estava falando sério, quando comentou que ele iria vê-la. Abriu mais a porta. Taylor viu a abertura que ela dera como uma reconciliação, ou talvez, um passo para isso, finalmente entrou. Bia fechou a porta rapidamente antes que alguém visse e a trancou. Ela o olhou as costas largas e os cabelos bagunçados. Imediatamente ele se virou para ela, e deu um passo em sua direção. Bia encostou-se mais na porta, mas não havia para onde fugir. Taylor tocou sua cintura colando o corpo no dela. Como era bom senti-la, poder tê-la sempre que quisesse. E agora teria, não importa o que quer que aconteça no futuro.
Aproximou o rosto do dela, contornou com a língua os lábios dela. Bia abriu os lábios instantaneamente, sentindo o corpo enfraquecer e ao mesmo tempo, uma camada quente e fria ultrapassar todo o corpo. Taylor penetrou a língua, sem dar chances de ela escapar-lhe. Encurralou-a mais a porta fazendo-a gemer e instantaneamente levar os braços em volta de seu pescoço. Ele levantou-a do chão, guiando-a até a cama. Ele deitou-a e deixou o corpo cair sobre o dela. Bia já vestia pijama de ursinhos, branco. E absurdamente curtos. Ele a fez levantar uma das pernas e deslizou a ponta dos dedos na perna e deitou sobre ela, beijando-a. Beijou demasiadas vezes, sem cessar. Faria amor com ela ali e agora.
Desceu os lábios por seu pescoço, sugando cada parte da curva. Seu sabor nunca se tornaria enjoativo. Pois parecia ter vários sabores a cada vez que saboreava aquela pele macia e perfumada. Bia perdeu os dedos entre seus cabelos, enlaçou-o com uma das pernas e gemeu ao sentir sua ereção através da calça.